O Hotel Cascais Miragem, em Cascais, vai encerrar temporariamente para uma intervenção profunda e prepara um despedimento coletivo de trabalhadores. A unidade de cinco estrelas, aberta há mais de duas décadas na marginal da vila, deverá fechar no final do verão, ficando sem aceitar novas reservas a partir de 2 de outubro.
A decisão foi comunicada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, que contesta a saída dos trabalhadores durante o período em que o hotel estiver encerrado. A administração justifica a medida com a dimensão e a duração das obras previstas para o edifício.
Remodelação deverá obrigar a pelo menos dois anos de encerramento
De acordo com o Expresso, o projeto surge depois da aquisição do hotel, em 2025, por um consórcio espanhol formado pela Ibervalles e pela ARD Investment & Development. A operação foi avaliada em cerca de 125 milhões de euros, estando previsto um investimento adicional de aproximadamente 80 milhões para a renovação e reposicionamento da unidade.
O investimento global deverá, assim, atingir cerca de 205 milhões de euros. A intervenção implicará a suspensão da atividade do hotel durante pelo menos 24 meses, segundo José Branco, diretor-geral da unidade, que confirmou a intenção de avançar com o despedimento coletivo.
“Vamos fazer obras profundas no hotel que implicam o encerramento pelo período mínimo de 24 meses”, afirmou o responsável à mesma fonte. A duração prevista da intervenção é um dos argumentos apresentados pela administração para justificar o encerramento completo da unidade.
Número de trabalhadores afetados ainda não foi divulgado
A administração rejeita, entretanto, o número de trabalhadores que tem sido avançado publicamente. José Branco esclareceu que os cerca de 200 funcionários referidos pelo Observador, incluindo 140 efetivos e 35 contratados a termo, não correspondem à dimensão atual da equipa.
“Não temos tantos trabalhadores”, afirmou o diretor-geral, sem indicar quantas pessoas serão abrangidas pelo despedimento coletivo. A empresa considera ainda que a duração da paralisação impede o recurso ao regime de lay-off, uma vez que está prevista uma suspensão total da atividade durante o período das obras.
A unidade deverá, por isso, interromper a operação enquanto decorre a intervenção. Para os trabalhadores, a decisão representa a possibilidade de perderem os postos de trabalho associados ao hotel durante um encerramento que poderá prolongar-se por dois anos ou mais.
Sindicato contesta decisão e aponta alternativas
A posição da administração não é, contudo, partilhada pela estrutura sindical. O sindicato considera que existem mecanismos que poderiam permitir a manutenção dos postos de trabalho enquanto o hotel estiver fechado para remodelação.
Em comunicado, a organização classifica a decisão como “profundamente injusta e socialmente inaceitável” e considera que os efeitos da operação não devem recair sobre os trabalhadores e a Segurança Social. O sindicato defende que existem outras possibilidades para assegurar os empregos durante a suspensão temporária da atividade.
“Não é aceitável que sejam os trabalhadores e a Segurança Social a suportar os custos de uma decisão de natureza empresarial, quando existem soluções alternativas que permitem assegurar a manutenção dos postos de trabalho durante o período de encerramento e de realização das obras”, sustenta a estrutura sindical.
Hotel deixa de aceitar reservas em outubro
O encerramento deverá acontecer no final do verão, estando já definida uma data a partir da qual não serão aceites novas reservas. O Hotel Cascais Miragem deixa de receber reservas para estadias a partir de 2 de outubro, antecipando o período de suspensão da atividade.
A unidade, situada na marginal de Cascais, ficará assim fora de funcionamento durante a remodelação. O prazo mínimo indicado pela administração é de 24 meses, embora a duração final dos trabalhos dependa do desenvolvimento da intervenção prevista.
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