Quem vive em zonas sem caixa Multibanco ou balcão bancário por perto pode vir a ter uma nova forma de levantar dinheiro e pagar contas sem grandes deslocações. O Governo lançou o projeto-piloto “MULTIBANCO + Perto”, pensado para freguesias onde o acesso a serviços bancários básicos é mais difícil.
A iniciativa foi apresentada esta segunda-feira pelo Ministério da Economia e da Coesão Territorial, em colaboração com o Banco de Portugal, a SIBS e a Associação Nacional de Freguesias. O objetivo é garantir serviços bancários essenciais a populações que vivem em localidades sem qualquer ponto de atendimento bancário próximo.
Como vai funcionar o novo serviço
O “MULTIBANCO + Perto” assenta na disponibilização de Terminais de Pagamento Automático Digitais, conhecidos como SmartPOS. Estes equipamentos permitem realizar grande parte das operações mais usadas nos caixas Multibanco tradicionais.
Segundo o Governo, os terminais permitem efetuar cerca de 90% das operações disponíveis nos caixas Multibanco, incluindo disponibilização de numerário, pagamento de serviços, carregamento de telemóveis e consulta de saldo e movimentos.
Juntas de freguesia terão papel central
As juntas de freguesia serão responsáveis pela gestão da utilização destes terminais. Caberá também às autarquias locais assegurar a liquidez necessária para permitir levantamentos de dinheiro por parte da população.
Na prática, o serviço pretende aproximar operações bancárias básicas de quem hoje precisa de percorrer vários quilómetros para levantar dinheiro, pagar uma conta ou consultar movimentos. A medida é especialmente relevante para pessoas mais idosas, com menor mobilidade ou residentes em territórios de baixa densidade.
Primeiras freguesias abrangidas
O projeto-piloto arranca ainda esta semana em várias freguesias do concelho de Mértola. Estão previstas São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros, Espírito Santo e Santana de Cambas.
Depois, o serviço deverá chegar também à freguesia da Coriscada, no concelho de Mêda. Esta fase inicial servirá para testar o funcionamento do modelo antes de uma eventual expansão a outras zonas do país.
Piloto pode chegar a 30 freguesias
De acordo com o Executivo, a fase piloto abrangerá até 30 freguesias. O objetivo é avaliar a adesão, perceber as dificuldades no terreno e definir como poderá ser feita a expansão para outras localidades que queiram aderir ao projeto.
A medida surge num contexto em que muitas freguesias perderam balcões bancários ou nunca tiveram caixas automáticos próximos. Para quem vive nestas zonas, a falta de serviços financeiros básicos pode transformar tarefas simples em deslocações longas.
Que operações podem ser feitas?
Os SmartPOS vão permitir operações como levantamento de dinheiro, pagamento de serviços, pagamentos ao Estado, carregamento de telemóveis, carregamento de títulos de transporte e consulta de saldos e movimentos.
Entre os exemplos práticos estão o pagamento de contas de eletricidade, água ou outros serviços essenciais. A intenção é concentrar num ponto local algumas das operações mais frequentes do dia a dia.
Mais 700 mil pessoas abrangidas
O Governo afirma que o projeto poderá permitir que mais cerca de 700 mil pessoas passem a ter acesso a serviços Multibanco. A meta é aproximar estes serviços da quase totalidade da população portuguesa.
A ideia passa por garantir meios seguros, modernos e acessíveis para operações bancárias essenciais, mesmo em zonas onde não existem balcões ou caixas automáticos a curta distância.
Relatório apontou falhas no território
O Executivo recorda que um relatório do Banco de Portugal, de 2022, identificou 1276 freguesias sem serviços bancários a menos de 5, 10 ou 15 quilómetros. Esse número representa 41% do total de freguesias do país.
Segundo esse levantamento, a falta de cobertura afetava cerca de 740 mil pessoas, aproximadamente 7% da população. É precisamente esse problema que o “MULTIBANCO + Perto” pretende começar a resolver.
Medida pensada para o interior
Embora possa vir a ser alargado, o projeto tem especial impacto em zonas do interior e em territórios onde a rede bancária tradicional foi diminuindo ao longo dos anos. Nestes locais, a junta de freguesia pode passar a funcionar como ponto de apoio para operações financeiras básicas.
Para os moradores, a diferença pode estar em evitar viagens longas apenas para levantar dinheiro ou pagar uma conta. Para as freguesias, o desafio será garantir segurança, liquidez e capacidade de resposta.
Expansão dependerá da fase piloto
O Governo vai avaliar os resultados desta primeira fase antes de decidir como avançar com a expansão. A adesão das freguesias, a procura da população e a eficácia do modelo serão determinantes.
Para já, o “MULTIBANCO + Perto” começa por chegar a localidades específicas de Mértola e Mêda. Se o projeto funcionar, poderá tornar-se uma solução para muitas freguesias onde o banco mais próximo fica longe demais para quem precisa apenas de serviços essenciais.
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