Uma decisão judicial em Itália pôs fim a um longo processo iniciado após uma cirurgia que mudou para sempre a vida de uma mulher da cidade de Lucca, na região da Toscana. Nove anos depois da operação, o tribunal reconheceu a responsabilidade da clínica e da médica envolvida no procedimento.
Dor lombar levou à decisão de ser operada
A mulher, proprietária de uma loja local, recorreu à cirurgia devido a dores intensas na zona lombar. A intervenção cirúrgica escolhida foi uma artrodese, técnica que visa fundir articulações da coluna com o objetivo de estabilizar a estrutura e reduzir o desconforto.
Durante a cirurgia, realizada em 2016, um erro grave viria a comprometer de forma definitiva a sua qualidade de vida. Um dos parafusos colocados na coluna foi inserido de forma incorrecta, ultrapassando os limites ósseos permitidos e atingindo estruturas nervosas importantes.
Erro detetado apenas semanas após a operação
Segundo consta num relatório pericial, citado pelo jornal la Repubblica, foi uma tomografia realizada semanas após a cirurgia que revelou a má colocação do implante. Esta falha provocou lesões neurológicas irreversíveis na perna esquerda da paciente.
Com a mobilidade da perna completamente comprometida, a mulher acabou por ser considerada 100% incapacitada pelo Instituto Nacional de Segurança Social italiano (INPS), organismo responsável pela avaliação do grau de deficiência.
Tribunal aponta falhas da médica e da clínica
A juíza responsável pelo caso concluiu que a responsabilidade pelo estado da paciente era partilhada entre a médica cirurgiã e a clínica onde ocorreu o procedimento. A decisão sublinha que houve “negligência determinante” por parte dos profissionais de saúde envolvidos.
Indemnização de 240 mil euros será paga à vítima
Foi determinado que a mulher deverá ser indemnizada no valor de cerca de 240 mil euros. Esta compensação será paga pelas seguradoras da médica e da unidade clínica onde decorreu a cirurgia.
Valor anterior de pensão foi considerado
Importa referir que a paciente já tinha recebido anteriormente uma pensão de invalidez no montante de 220 mil euros, valor atribuído pelo INPS e que foi considerado no cálculo da indemnização adicional agora estabelecida.
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Reconhecimento do erro traz alívio emocional
Segundo a mesma fonte, para a mulher, esta sentença representa mais do que uma compensação financeira: é o reconhecimento formal do erro médico que a deixou numa situação de dependência permanente desde 2016.
De acordo com o Corriere Fiorentino, o tribunal considerou que o processo clínico continha falhas graves de avaliação e execução, com consequências devastadoras para a vítima.
A decisão judicial agora conhecida tem efeitos imediatos, o que significa que a indemnização poderá ser processada sem necessidade de novos recursos por parte das entidades envolvidas.
Artrodese exige precisão cirúrgica absoluta
A artrodese é uma técnica comum em casos de problemas na coluna vertebral, mas exige precisão absoluta por parte das equipas médicas para evitar complicações graves.
Vítima vive com limitações severas desde 2016
Em declarações anteriores, e segundo o la Repubblica, a mulher admitiu que passou anos a tentar reconstruir a sua vida, adaptando-se à nova realidade de mobilidade reduzida e às limitações impostas pela deficiência total.
Casos como este reforçam a vigilância médica
Este caso vem juntar-se a outros processos semelhantes em Itália, onde os tribunais têm vindo a reforçar o princípio da responsabilidade médica em situações de erro comprovado.
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