O Algarve ficou atrás de Espanha nas transações realizadas pelos portugueses durante julho e agosto, indicam dados da SIBS Analytics divulgados pelo Expresso. Paralelamente, numa outra notícia, o jornal aponta sinais de saturação da oferta hoteleira em Lisboa, onde o aumento dos projetos de novos hotéis contrasta com uma procura condicionada pelas limitações do aeroporto.
Espanha concentrou 13% das transações dos portugueses, com um crescimento de 11% face ao verão de 2025. O distrito de Faro passou para o segundo lugar, com 12% das operações e uma quebra de 5% em relação ao ano anterior.
A comparação entre destinos assenta nos dados agregados de consumo e pagamentos digitais disponibilizados pela SIBS Analytics, não numa contagem de turistas ou de dormidas.
Lisboa também representou 12% das transações, mas, ao contrário de Faro, registou um crescimento de 2%. O Porto reuniu 6% das operações e Leiria 5%.
Espanha concentra quase metade das operações no estrangeiro
Considerando apenas os pagamentos dos portugueses fora do país, a vantagem de Espanha torna-se mais expressiva: o mercado espanhol concentrou 46% das operações realizadas no estrangeiro durante os dois meses de verão.
França ocupou a segunda posição, com 14%, seguindo-se Itália, com 7%. Bélgica e Alemanha representaram, cada uma, 4% das transações.
No conjunto das operações realizadas pelos portugueses em Portugal e no estrangeiro, o número de pagamentos aumentou 6% em julho e agosto, enquanto o valor total movimentado cresceu 3% face ao mesmo período de 2025.
Lazer e restauração lideram o crescimento do consumo
O lazer foi o setor com maior crescimento, registando mais 20% de transações e um aumento de 7% no valor movimentado. A restauração também apresentou uma evolução positiva, com mais 10% de operações e uma subida de 8% no montante dos pagamentos.
Entre os turistas estrangeiros em Portugal, o número de operações cresceu 5%, mas o aumento do valor gasto foi mais moderado, situando-se em 1% face ao verão anterior.
Os visitantes provenientes de França, Reino Unido, Espanha, Alemanha e Estados Unidos foram os que mais contribuíram para o consumo turístico no país, de acordo com os dados citados pelo Expresso.
Investimento em hotéis cresce, mas Lisboa enfrenta pressão
Num retrato distinto do setor turístico, uma notícia do Expresso, assinada por Conceição Antunes, aponta para uma oferta hoteleira em Lisboa próxima da saturação. A capital continua a atrair investidores internacionais e a acumular projetos de novos hotéis, mas as restrições do aeroporto limitam a procura e aumentam a pressão sobre as unidades existentes.
O investimento imobiliário associado a hotéis em Portugal atingiu 508 milhões de euros entre janeiro e junho de 2026, segundo um estudo da Savills Portugal citado pelo jornal. Em apenas seis meses, o montante ultrapassou os 494,7 milhões de euros registados durante todo o ano de 2025.
A Grande Lisboa concentrou 61% desse investimento, refletindo o interesse de fundos internacionais, sociedades de investimento em capital privado e estruturas de gestão de patrimónios familiares pelo imobiliário turístico da região.
Receita por quarto cai 15% nos hotéis de cinco estrelas
Apesar da atratividade junto dos investidores, os hotéis existentes já sentem pressão. No segmento de cinco estrelas em Lisboa, a receita por quarto caiu 15% em julho.
É neste contexto que o setor volta a pedir a realização de um estudo de capacidade de carga da cidade, que poderá conduzir à imposição de limites. A saturação apontada pelo jornal diz respeito à oferta hoteleira, num mercado onde continuam a surgir novos projetos, mas em que as limitações aeroportuárias condicionam o crescimento da procura.
A.Pinto / HDF
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