A história de Pilar, uma mulher com 34 anos de descontos que perdeu o emprego, o apoio familiar e acabou a viver na rua, ilustra uma realidade de exclusão social que continua presente em vários países europeus, incluindo Portugal, onde milhares de pessoas enfrentam situações semelhantes apesar de longas carreiras contributivas.
Depois de perder o trabalho e os laços familiares, Pilar ficou sem qualquer alternativa habitacional. Atualmente vive no Centro de Acolhimento San Isidro, em Madrid, e procura emprego para conseguir reconstruir a sua vida e recuperar a autonomia.
Pilar começou a trabalhar muito cedo e acumulou 34 anos de descontos para a Segurança Social. Ao longo da vida passou por vários setores profissionais, mas uma sucessão de problemas pessoais e financeiros empurrou-a para uma situação extrema. “Passei três anos a dormir num banco”, contou numa entrevista à Cadena COPE, citada pelo jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Traição da família
“Sempre trabalhei. Tive a minha família”, explicou. No entanto, um conflito acabou por quebrar todos os vínculos familiares. “Dei a herança à minha família e deixaram-me na rua”, afirmou.
A esta rutura juntou-se um problema de saúde que agravou ainda mais a sua situação. “Sou alcoólica e, além do trabalho, quando o perdes, perde-se tudo”, confessou, descrevendo o início de um processo de exclusão do qual tem sido muito difícil sair.
Apesar de tudo, Pilar sublinha que nunca deixou de trabalhar sempre que teve oportunidade. Entre os últimos empregos, recorda ter cuidado de um casal com deficiência, trabalhado na limpeza de hotéis e em cozinhas. “Trabalhei imenso”, reforçou, de acordo com a mesma fonte.
Três anos na rua e a vida num centro de acolhimento
Depois de três anos a viver na rua, Pilar, com 34 anos de descontos, conseguiu finalmente um lugar num centro de acolhimento, o San Isidro, em Madrid, onde partilha quarto com outras duas mulheres. Reconhece que hoje se sente um pouco mais segura, mas admite que a convivência é difícil. “É muito conflituosa”, explicou, acrescentando que “já fui agredida duas vezes”.
Ainda assim, tenta manter-se afastada de conflitos. “Não sou de me meter em problemas, tento afastar-me”, afirmou. Pilar conta com poucos apoios pessoais. Os pais já faleceram e a relação com os irmãos está cortada. “A única que tenho é a minha irmã, mas é como se não tivesse. Não quero saber deles”, disse.
Apesar de tudo o que viveu, o objetivo mantém-se claro, de acordo com o Noticias Trabajo: voltar a trabalhar e recuperar a independência. “Assim que arranjasse um trabalho em condições, poupava um bocadinho para sair daqui”, explicou. Agradece o apoio que recebe no centro, mas insiste que quer seguir em frente pelos próprios meios. “Se puder sair daqui, saio”.
Uma realidade que também existe em Portugal
Em Portugal, histórias como a de Pilar não são raras. Muitas pessoas em situação de sem-abrigo têm percursos longos de trabalho e descontos, mas acabam excluídas devido a ruturas familiares, problemas de saúde, dependências ou perda súbita de rendimento.
Tal como acontece em Espanha, os centros de acolhimento portugueses funcionam muitas vezes como resposta de emergência, enquanto a reintegração através do trabalho e do acesso à habitação continua a ser um dos maiores desafios no combate à exclusão social.
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