Tem vindo a aumentar o número de casos em que os utilizadores de serviços bancários são alvos de esquemas sofisticados, muitas vezes sem se aperceberem de que os seus dados foram comprometidos. Estas práticas, que recorrem a tecnologias discretas e métodos cada vez mais refinados, têm permitido a atuação de redes criminosas em várias zonas do país.
De acordo com a Polícia Judiciária (PJ), uma das técnicas mais utilizadas por estes grupos é a clonagem de cartões bancários. Este método permite o acesso e a movimentação indevida de fundos a partir das contas associadas aos cartões copiados, causando perdas financeiras significativas às vítimas.
Como os dados dos cartões são copiados
Os autores deste tipo de crime instalam dispositivos conhecidos como “skimmers” nos terminais Multibanco, que copiam a informação da banda magnética dos cartões.
Paralelamente, são colocadas microcâmaras camufladas, com o objetivo de captar o código PIN introduzido pelo utilizador no momento da operação.
Segundo as autoridades, este método não se limita aos caixas automáticos. A clonagem também pode ocorrer em lojas ou outros estabelecimentos, quando os terminais de pagamento são manipulados.
Rede criminosa desmantelada em quatro regiões
A PJ realizou a operação “Ctrl €” nas regiões da Grande Lisboa, Grande Porto, Minho e Algarve, resultando na detenção de dez indivíduos.
Os suspeitos estavam envolvidos numa rede dedicada à contrafação e uso fraudulento de cartões bancários, assim como ao branqueamento de capitais.
Os prejuízos causados por este grupo ultrapassam os 450 mil euros, revelando a dimensão e impacto da atividade criminosa.
Como reduzir o risco de ser vítima
As autoridades recomendam que os utilizadores verifiquem sempre o estado dos terminais antes de os utilizarem, prestando atenção a eventuais alterações ou peças soltas.
Caso detetem algo suspeito, devem interromper imediatamente a operação e contactar o banco ou as autoridades.
É igualmente importante proteger o teclado ao introduzir o PIN, evitando que câmaras ocultas ou terceiros consigam ver a sequência. Se o levantamento ou pagamento não for concluído com sucesso, o cartão deve ser cancelado e o banco notificado de imediato.
Durante pagamentos em estabelecimentos, é essencial manter o cartão sempre à vista, prevenindo eventuais tentativas de clonagem através de terminais adulterados.
Idosos estão mais expostos ao risco
Os cidadãos mais velhos são especialmente vulneráveis a este tipo de fraude. A menor familiaridade com equipamentos eletrónicos, dificuldades visuais e o maior tempo necessário para concluir as operações tornam-nos alvos mais fáceis.
Neste sentido, a PJ recomenda que, sempre que possível, os idosos sejam acompanhados por familiares ou cuidadores durante as operações bancárias.
A vigilância continua a ser a melhor defesa
Estar atento aos sinais de adulteração e proteger os dados bancários são formas eficazes de evitar este tipo de crime. Denunciar situações suspeitas às autoridades ou às instituições bancárias contribui para combater estas redes.
A PJ sublinha que a cooperação entre os cidadãos, os bancos e as forças de segurança é fundamental para travar a atuação destas organizações e reforçar a segurança dos utilizadores.
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