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Cultura, Opinião

Leitura da Semana: O vento conhece o meu nome, de Isabel Allende | Por Paulo Serra

Esta semana, Paulo Serra propõe a leitura de um romance, onde se cruzam duas histórias de duas crianças vítimas das consequências da guerra e da migração forçada, separadas por 8 décadas, até o culminar de um reencontro que ocorre em plena pandemia

14:40 12 Setembro, 2023 15:39 12 Setembro, 2023 | POSTAL
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PAULO SERRA
Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação
em Artes e Comunicação (CIAC)

O vento conhece o meu nome, com tradução de Carla Ribeiro, é o novo romance da autora chilena Isabel Allende, publicada pela Porto Editora. 

Há vários anos que a escritora que nos deixou romances marcantes como A Casa dos Espíritos, Eva Luna, ou Filha da Fortuna, parece ter perdido o fôlego. Recuperou-o mais recentemente em Longa Pétala de Mar ou Violeta. Mas o certo é que a sua escrita tem oscilado bastante, com romances sofríveis e outros mais enlevantes. 

A narrativa começa em Viena, em 1938. Samuel Adler tem 5 anos quando o pai desaparece, num dia em que os maus presságios são palpáveis, e culminam numa noite explosiva em que a sua casa é invadida e a sua família perde tudo. Conforme os eventos se precipitam, numa cidadã tomada pelo regime nazi, o casal é separado, e a mãe de Samuel resigna-se a enviar o filho, com o seu violino como única companhia, num comboio que transporta crianças judias para fora do país. 

A Isabel Allende | Foto DR

No Arizona, em 2019, Anita Díaz, uma menina cega, e a mãe tentam entrar nos E.U.A., como forma de sobreviver à violência que grassa no seu país, El Salvador, um dos mais violentos do mundo. Separadas na fronteira, ao abrigo de uma nova lei que regulamenta a imigração, Anita deixa de saber do paradeiro da mãe, durante anos, enquanto vai sendo colocada em instituições de acolhimento. Este caso, entre milhares de outros similares, chama a atenção de Selena Durán, californiana de ascendência latina, que convence Frank Angileri, um jovem advogado, a reencontrar a mãe e a reuni-las. 

Cruzam-se duas histórias de duas crianças vítimas das consequências da guerra e da migração forçada, separadas por 8 décadas, até o culminar de um reencontro que ocorre em plena pandemia. A própria autora, como se sabe, saiu do Chile após o golpe militar e nunca regressou. 

Em O vento conhece o meu nome multiplicam-se as personagens, muitas vezes oriundas de cenários de revoluções, guerrilhas, ditaduras e guerras. Os temas são prementes, mas muitas vezes passados a correr e em jeito de dados estatísticos. As várias partes da história não encaixam verdadeiramente, pelo que o romance parece resultar numa manta de retalhos, em vez de um mosaico. É difícil criarmos empatia com as personagens que, aliás, parecem lugares-comuns que nunca chegam a ser verdadeiramente aprofundados. Grande parte da narrativa é contada em retrospectiva, como se a autora se esforçasse por apanhar um comboio, de forma a chegar ao destino desejado. Quando, no início do livro, lemos sobre o caos que se instala em Viena, é escusado, numa narrativa que pretende narrar a par e passo os eventos como se os vivêssemos no momento, explicar que aquela é a infame Noite de Cristal. 

É um romance que entretém e certamente agradará a muitos leitores, mas para quem conheceu a pujança de Isabel Allende e a sua magia na forma como tece uma história, mesmo os ocasionais espíritos que por aqui passam e o humor irreverente que discretamente pontua certas passagens, não salvam esta leitura. 

Isabel Allende nasceu em 1942, no Peru. Passou a primeira infância no Chile e viveu em vários lugares na adolescência e juventude. Depois do golpe militar de 1973 no Chile, exilou-se na Venezuela e, desde 1987, vive como imigrante na Califórnia. Define-se como “eterna estrangeira”. 

Leia também: Leitura da Semana: Verbena e Colibri, de Fran Pintadera e Ana Sender | Por Paulo Serra

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