Explorar as profundezas do oceano pode revelar paisagens tão inesperadas que parecem saídas de um filme. Foi precisamente o que aconteceu quando uma equipa de cientistas, durante uma expedição no Pacífico, encontrou no fundo do mar uma formação que lembrava uma estrada de tijolos amarelos, despertando a curiosidade e até algumas comparações com mundos imaginários.
Descoberta por pilotos de navio
A descoberta foi feita por pilotos do Nautilus E/V (Exploration Vessel Nautilus), um navio de investigação oceanográfica operado pela Ocean Exploration Trust, organização fundada pelo explorador e oceanógrafo Robert Ballard (o mesmo que descobriu os destroços do Titanic), enquanto exploravam antigos montes submarinos da Cordilheira Liliʻuokalani, no noroeste do Havai.
A bordo, a missão incluía recolher amostras de crosta de manganês com a ajuda de um braço robótico, manobra que permitiu observar de perto um depósito de crosta de ferromanganês, um mineral marinho formado por óxidos de ferro e manganês.
Após concluída a recolha, a embarcação prosseguiu o trajeto e acabou por chegar a uma área inesperadamente seca na aparência, apelidada pela equipa de “crosta cozida”, refere a revista portuguesa especializada em economia e negócios Executive Digest. Foi aí que surgiu a formação curiosa, semelhante a paralelepípedos, que recebeu o nome de “estrada de tijolos amarelos”.
Localização e características
A estrutura está situada no cume do Monte Submarino Nootka, dentro do Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuakea. À primeira vista, fazia lembrar o leito de um lago seco, mas a análise posterior revelou tratar-se de hialoclastito, um tipo de rocha vulcânica formada quando erupções de alta energia depositam fragmentos no fundo do mar.
O padrão regular que a torna semelhante a uma estrada resulta das fraturas provocadas por ciclos repetidos de aquecimento e arrefecimento ao longo de milhares de anos, à medida que novas erupções aconteciam na região.
Uma explicação geológica
Para compreender melhor, basta, segundo a Executive Digest, imaginar a crosta de um brownie: sólida à superfície, mas sujeita a dilatações e contrações com as variações de temperatura, criando fissuras. Neste caso, a rocha vulcânica comportou-se de forma semelhante, mas num processo muito mais lento e prolongado.
A formação, apesar da sua aparência quase artificial, é um exemplo considerado pelos cientistas como impressionante, pela forma como a geologia marinha pode criar cenários que se confundem com obras humanas, alimentando a imaginação de quem explora as profundezas.
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