Um acidente rodoviário é uma situação que ninguém deseja viver. Mesmo os incidentes mais ligeiros causam incómodo e stress, mas a forma como reagimos no imediato pode ter consequências legais e financeiras. Um gesto aparentemente inocente, como pedir desculpa por cortesia, pode ser entendido como uma admissão de culpa.
De acordo com o Notícias ao Minuto, esta foi a recomendação deixada por Rebecca Mason, antiga detetive policial britânica, num artigo publicado pela BBC. A especialista explicou que, no local de um acidente, o cuidado com as palavras é essencial: frases como “lamento” ou “peço desculpa” podem ser mal interpretadas e usadas contra o condutor em eventuais processos.
O que deve evitar dizer no local
Segundo a mesma fonte, a ex-polícia recorda que, em momentos de tensão, é comum cair no instinto de pedir desculpa, mesmo quando não se tem qualquer culpa no sucedido. Mas este comportamento pode ser prejudicial caso seja necessário provar responsabilidades. A recomendação passa por manter a calma e limitar a comunicação a informações objetivas, evitando expressões que transmitam arrependimento ou reconhecimento de culpa.
Mason falou da sua própria experiência: esteve envolvida num acidente rodoviário no verão deste ano e percebeu como estas questões podem ter peso no desenrolar da situação.
O que deve fazer imediatamente
Para além de controlar a linguagem, há várias medidas que a lei portuguesa exige e que qualquer condutor deve seguir. O primeiro passo é sinalizar a ocorrência com o triângulo de sinalização e vestir o colete refletor antes de sair do veículo, garantindo sempre a sua segurança, já que o trânsito pode continuar a circular.
O Notícias ao Minuto acrescenta que é fundamental recolher o máximo de informação possível. Isso inclui pedir contactos de testemunhas oculares, registar fotografias detalhadas do local e dos danos nas viaturas e tirar notas sobre todos os elementos relevantes. Estes registos podem ser decisivos numa eventual disputa sobre a responsabilidade do sinistro.
Quando chamar as autoridades
Se houver feridos, vítimas mortais ou danos significativos, é obrigatório contactar de imediato as autoridades competentes e, se necessário, os bombeiros. Caso não haja entendimento entre os condutores para preencher a Declaração Amigável de Acidente Automóvel, deve igualmente ser solicitada a presença da polícia.
Outra situação em que é essencial chamar as autoridades é quando um dos veículos envolvidos não dispõe de seguro válido. Nestes casos, a intervenção policial é determinante para que o processo siga os trâmites legais.
Resolução amigável
Quando não há feridos graves e é possível chegar a acordo, a Declaração Amigável continua a ser a forma mais rápida e eficaz de resolver o incidente. O documento deve ser preenchido com atenção, descrevendo de forma clara o local, os danos e as circunstâncias do acidente.
E em Portugal?
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) alerta que em Portugal também é essencial ter cautela com declarações feitas no local do acidente. Segundo o organismo, qualquer expressão que possa ser interpretada como assunção de culpa pode dificultar o processo de participação às seguradoras e condicionar a análise da responsabilidade.
A ANSR sublinha ainda que o mais importante é cumprir os deveres legais previstos no Código da Estrada, nomeadamente o de prestar assistência a feridos e colaborar com as autoridades na reconstituição do acidente.
Em suma, os conselhos são simples: mantenha a calma, cumpra as regras de segurança, registe todos os detalhes e evite frases que possam ser usadas contra si. Pedir desculpa pode ser um reflexo de boa educação, mas num acidente de viação pode sair caro.
















