Conduzir é, para muitos, sinónimo de liberdade e independência. É através do volante que se mantêm laços sociais, se acede a serviços essenciais e se preserva uma rotina de mobilidade que muitos consideram indispensável. No entanto, à medida que a idade avança, surgem dúvidas legítimas sobre a capacidade de conduzir em segurança.
De acordo com a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), este é um tema delicado, pois toca não apenas na segurança rodoviária, mas também na autonomia pessoal e na autoestima dos condutores seniores.
Por esta razão, é importante abordar a questão com cuidado, respeitando a experiência de cada indivíduo e evitando generalizações simplistas.
A idade define a capacidade de conduzir?
A questão central que se coloca é: existe uma idade a partir da qual se deve deixar de conduzir? Especialistas em medicina de tráfego e organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, alertam que a idade por si só não define a aptidão para conduzir. Mais relevante do que um número é a avaliação das capacidades físicas, cognitivas e sensoriais do condutor.
O que dizem os especialistas?
O Dr. Alberto Maurício, especialista em medicina de tráfego, afirma que “não existe uma idade referência para se deixar de conduzir”. Ele sublinha que muitos condutores mantêm a capacidade de conduzir em segurança até idades avançadas, frequentemente adaptando a sua condução a horários, percursos e condições específicas. A decisão deve basear-se em avaliações médicas, psicológicas e práticas de condução.
Estudos científicos reforçaram esta ideia. Investigadores da revista especializada em neurologia, Neurology, acompanharam mais de duzentos adultos com cerca de 72 anos e verificaram que quem apresentava sinais ligeiros de perda de memória ou de atenção teve maior tendência para deixar de conduzir.
Bastou uma pequena alteração na escala que avalia o início de demência para que a probabilidade de abandonar o volante aumentasse em mais de três vezes. Ou seja, mesmo mudanças subtis nas capacidades cognitivas influenciaram a decisão de deixar de conduzir.
Avaliações periódicas e sinais de alerta
Em Portugal, condutores com 60 anos ou mais devem realizar exames médicos para renovar a carta de condução.
A partir dos 70 anos, é obrigatório um Certificado de Aptidão Psicológica, emitido pelo IMT ou por psicólogos certificados. Além disso, é essencial informar o IMT sobre qualquer condição médica que possa afetar a segurança ao volante.
Sinais que indicam necessidade de reavaliação incluem diminuição da capacidade de reação, problemas de visão ou audição, dificuldades de mobilidade, alterações de comportamento ao volante e envolvimento em acidentes.
Especialistas do IMT recomendam que a decisão de continuar a conduzir seja tomada em conjunto com médicos de confiança, familiares e profissionais de segurança rodoviária, garantindo assim equilíbrio entre segurança e autonomia.
Garantir segurança sem perder autonomia
Não existe uma idade fixa para deixar de conduzir. A decisão deve basear-se na avaliação das capacidades individuais, considerando saúde física e mental.
É essencial realizar exames médicos regulares, estar atento a sinais de alerta e procurar aconselhamento profissional, tal como sugerido pela PRP, para garantir segurança, preservando a autonomia e o bem-estar dos condutores seniores.
















