Durante uma viagem de carro, é um problema comum ficar enjoado, tanto em crianças como em adultos. O enjoo provocado pelo movimento pode transformar uma deslocação tranquila num verdadeiro suplício. Agora, um estudo conduzido na China sugere que a música pode ser um aliado eficaz para reduzir esses sintomas, dispensando o recurso a medicamentos.
De acordo com o jornal espanhol As, a investigação envolveu 30 voluntários submetidos a um simulador de condução que induzia o mal-estar de forma controlada.
Durante as sessões, os participantes ouviam diferentes estilos musicais, enquanto os investigadores monitorizavam em tempo real a atividade cerebral através de um sistema de eletroencefalografia com 64 canais.
Música alegre e suave em destaque
Os resultados mostraram diferenças claras consoante o tipo de música. Segundo a mesma fonte, as canções alegres e suaves reduziram os sintomas em cerca de 57%, um alívio consideravelmente superior à recuperação natural sem música.
A música mais intensa e apaixonada diminuiu o enjoo em 48,3%, enquanto a música triste revelou um efeito praticamente nulo: apenas 40% de alívio, menos até do que o grupo que não tinha qualquer estímulo musical (43,3%).
Os investigadores explicam que a música triste pode acentuar o foco no desconforto e arrastar o estado de espírito para baixo, amplificando a sensação de mal-estar. Pelo contrário, as melodias mais leves e alegres promovem calma e reduzem a resposta física associada ao enjoo.
O que acontece no cérebro
O estudo analisou também os efeitos neurológicos. Escreve o As que a região occipital do cérebro, responsável pelo processamento visual, revelou ser a mais informativa para identificar os sinais de enjoo.
Foi observado que, sempre que os sintomas melhoravam com música, aumentava a potência das ondas alfa nesta zona, um marcador associado a estados de relaxamento.
Para validar os resultados, os investigadores utilizaram ainda um modelo de rede neuronal, capaz de classificar diferentes níveis de enjoo com uma precisão de 85,6%. Esta análise reforça a evidência de que a música pode funcionar como uma intervenção concreta e mensurável.
Implicações práticas
A descoberta abre caminho a novas formas de lidar com o enjoo em viagens de carro, mas também em experiências de realidade virtual, onde o mal-estar por movimento é frequente. Explica o As que se trata de uma solução simples, económica e sem efeitos secundários, que pode ser facilmente aplicada em contexto real.
Os investigadores não excluem, no futuro, a criação de sistemas inteligentes capazes de ajustar automaticamente a música ou o ambiente sonoro consoante o estado do passageiro. Para já, a recomendação é prática: escolher playlists alegres ou suaves pode tornar a próxima viagem mais confortável.
Em suma, a ciência confirma aquilo que muitos já suspeitavam de forma intuitiva: a música não serve apenas para entreter, pode também equilibrar o corpo e a mente em momentos de desconforto.
















