Os radares estão a mudar de rosto e de função. A mais recente novidade chama-se SafeDrive e chegou a Itália com uma promessa clara: olhar para além do ponteiro da velocidade. Este sistema de radar, apoiado em inteligência artificial, consegue identificar comportamentos de risco no interior do carro, como usar o telemóvel enquanto conduz ou circular sem cinto de segurança.
O que torna este radar diferente
O SafeDrive não é apenas mais um radar de velocidade. De acordo com os fabricantes citados pelo site automóvel italiano Automoto, este dispositivo de radar combina câmaras de alta definição, tecnologia infravermelha e algoritmos de inteligência artificial para analisar, em tempo real, os movimentos do condutor. O objetivo é distinguir se está a segurar um telemóvel, se o cinto está corretamente colocado ou se há outras atitudes que representam infração.
Projetado para funcionar em estradas com limite até 70 quilómetros por hora, o radar monitoriza uma faixa de cada vez, processando as imagens em segundos.
Multas? Ainda não
Apesar de toda a tecnologia, o SafeDrive não pode, por enquanto, emitir multas de forma automática. A lei italiana obriga a que qualquer infração seja validada por um agente da autoridade e que os dispositivos sejam previamente homologados pelo Ministério das Infraestruturas e Transportes.
Neste momento, como explica o site Automoto, o sistema funciona como ferramenta de apoio: sinaliza comportamentos suspeitos, mas a decisão de multar continua a depender da intervenção humana.
Experiências noutros países
Enquanto em Itália o SafeDrive ainda está em fase de testes, exemplos internacionais mostram como estes radares inteligentes podem ganhar espaço. Na Holanda, dispositivos semelhantes já resultaram em milhares de multas nos primeiros meses de operação.
Na Austrália, só no estado de Nova Gales do Sul, foram identificados mais de 100 mil condutores ao telemóvel em menos de um ano. Também no Reino Unido, escreve o jornal The Guardian, os primeiros ensaios já apresentam resultados promissores.
Questões de privacidade
Um radar que consegue “ver” para dentro do carro levanta, inevitavelmente, preocupações. Quem tem acesso às imagens? Quanto tempo são guardadas? Segundo os fabricantes, o SafeDrive processa os dados em tempo real e elimina as imagens quando não há infrações confirmadas.
Uma forma de garantir que não existe recolha massiva de dados, embora os especialistas citados pelo Automoto alertem para a necessidade de regras claras sobre privacidade e proteção de dados.
E em Portugal?
No contexto português, estes radares ainda não são realidade. A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária confirmou que em Portugal não existe qualquer homologação para dispositivos deste género. Por cá, o controlo ao uso do telemóvel ao volante continua a depender de campanhas de fiscalização presenciais, onde são os agentes que registam as infrações.
Ainda assim, a tendência internacional mostra que esta tecnologia pode vir a ser discutida em breve também em Portugal. A questão será se estamos preparados para aceitar radares que não se limitam a medir velocidades, mas que passam a observar comportamentos dentro do automóvel.
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