Os retrovisores do carro são vistos por muitos condutores apenas como um detalhe prático, sobretudo na hora de estacionar, mas a forma como são usados pode ter impacto direto na segurança, nos riscos para o veículo e até em eventuais consequências legais em Portugal. Um gesto aparentemente inofensivo, como recolher os espelhos ao estacionar, pode nem sempre ser a melhor opção.
A tecnologia automóvel evoluiu para tornar a condução mais simples e confortável. Entre essas inovações estão os sistemas de rebatimento automático dos retrovisores exteriores, cada vez mais comuns em carros modernos. Ao desligar o motor, os espelhos recolhem sozinhos, reduzindo o volume aparente do carro.
Esta solução é particularmente útil em parques de estacionamento apertados ou em locais com colunas, muros ou outros obstáculos próximos. Em muitos modelos, existe ainda um botão específico que permite ao condutor recolher os retrovisores apenas quando considera necessário, de acordo com o jornal digital espanhol especializado em auto El Motor.
Em veículos mais antigos, no entanto, este gesto continua a depender exclusivamente do condutor. É frequente que, ao sair do carro, os espelhos sejam dobrados manualmente para evitar toques de outros veículos ou danos provocados por peões em ruas estreitas.
Riscos desta prática para a segurança do veículo
O que muitos condutores desconhecem é que esta prática pode, em certas situações, jogar contra o próprio carro. Com os retrovisores abertos, os outros automobilistas percebem melhor a largura do veículo estacionado e tendem a manobrar com maior margem de segurança.
Quando os espelhos estão recolhidos, essa perceção visual desaparece. O carro parece mais estreito do que realmente é, o que pode levar outros condutores a passar demasiado perto, aumentando o risco de toques na carroçaria, nas portas ou nos guarda-lamas.
Um aliado discreto no estacionamento
Os retrovisores exteriores podem também ser um importante aliado na hora de estacionar, sobretudo em paralelo junto ao passeio. Existe um truque simples que ajuda a evitar danos nas jantes e nos pneus, de acordo com a mesma fonte.
Consiste em inclinar o retrovisor do lado do passeio para baixo, de forma a permitir a visualização do lancil e da roda. Assim, o condutor consegue ajustar a aproximação com maior precisão e manter uma distância segura. Alguns modelos mais recentes fazem este ajuste automaticamente quando se engrena a marcha-atrás, sobretudo se o intermitente estiver acionado para o lado correspondente. O espelho baixa ligeiramente, mostrando o limite do passeio.
Nos carros que não dispõem desta funcionalidade, o procedimento pode ser feito manualmente. Basta selecionar o retrovisor pretendido e ajustá-lo temporariamente para baixo durante a manobra. Embora se percam outras referências visuais durante esse ajuste, o espelho pode ser reposto na posição normal assim que o carro esteja corretamente estacionado, garantindo controlo e segurança sem pressas, de acordo com o El Motor.
O que diz a lei em Portugal
Do ponto de vista legal, o Código da Estrada português estabelece regras claras quanto à existência e utilização dos espelhos retrovisores nos carros. De acordo com o artigo 136.º do Código da Estrada, os veículos devem dispor de espelhos em número suficiente para permitir ao condutor observar o trânsito na retaguarda e nos lados do veículo.
Circular sem um dos retrovisores legalmente exigidos constitui uma contraordenação rodoviária, nos termos do regime geral do Código da Estrada. Nestes casos, a coima aplicável pode atingir os 200 euros, dependendo da avaliação feita pelas autoridades e do risco concreto que a falta do equipamento represente para a segurança rodoviária.
Além disso, o artigo 135.º do Código da Estrada determina que todos os equipamentos obrigatórios do veículo devem estar corretamente instalados e em bom estado de funcionamento. Quando a ausência, inutilização ou mau estado de um retrovisor compromete de forma evidente a segurança, os agentes de autoridade podem determinar a imobilização do veículo, até que a situação seja regularizada.
Um pequeno gesto com impacto real
Recolher ou não os retrovisores ao estacionar pode parecer um pormenor sem importância, mas a decisão deve ter em conta o local, o contexto e a segurança do próprio veículo.
Em muitas situações, manter os espelhos abertos contribui para uma melhor perceção da largura do carro por parte de outros condutores, reduzindo o risco de toques involuntários.
Noutras circunstâncias, sobretudo em espaços muito apertados ou em ruas estreitas, recolher os retrovisores continua a fazer sentido para evitar danos diretos. Conhecer estas nuances e enquadrá-las na realidade legal portuguesa permite tomar decisões mais informadas, evitando não só riscos desnecessários, mas também eventuais coimas ou problemas durante uma fiscalização.
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