As autoridades da Indonésia divulgaram um vídeo que mostra o momento em que Mariana Fonseca, enfermeira portuguesa condenada por homicídio no Algarve, é detida em Jacarta. A mulher, de 29 anos, foi localizada pelas autoridades locais após ter sido emitido um aviso vermelho da Interpol e encontrava-se em fuga para evitar cumprir a pena de prisão decretada pelos tribunais portugueses.
De acordo com o site Notícias ao Minuto, a detenção ocorreu na quinta-feira e foi confirmada pelas autoridades indonésias, que divulgaram imagens do momento da captura. Mariana Fonseca está condenada a 23 anos de prisão pelo homicídio de Diogo Gonçalves, um jovem informático de 21 anos assassinado em 2020.
Detenção aconteceu em Jacarta
As autoridades indonésias indicaram, em comunicado, que conseguiram localizar e deter a cidadã portuguesa na capital do país. Mariana Fonseca era alvo de um aviso vermelho da Interpol, instrumento utilizado para localizar e deter suspeitos procurados internacionalmente.
A nota divulgada pelas autoridades refere que a suspeita estará envolvida num caso de homicídio ocorrido em Portugal em 2020, cometido em conjunto com uma cúmplice. De acordo com a mesma fonte, após o crime terão sido utilizados cartões bancários e contas da vítima.
Vídeo da detenção de Mariana Fonseca. Crédito: @divhubinterpolriofficial
Processo de extradição já está em curso
Após a detenção, Mariana Fonseca foi encaminhada para um centro de detenção em Jacarta. Segundo o Notícias ao Minuto, as autoridades locais indicaram que o processo de deportação para Portugal está previsto para 9 de março de 2026.
A Polícia Judiciária confirmou também que a enfermeira foi localizada na capital da Indonésia. De acordo com a publicação, a PJ indicou que a operação foi realizada em estreita articulação com o Gabinete Nacional da Interpol.
As autoridades portuguesas estão agora a tratar dos procedimentos legais necessários para garantir o regresso da condenada a Portugal, onde deverá cumprir a pena de prisão aplicada pelos tribunais.
Um processo judicial com várias reviravoltas
O processo judicial relacionado com o homicídio teve várias etapas antes da decisão final. Em primeira instância, o Tribunal de Portimão condenou Maria Malveiro à pena máxima de 25 anos de prisão pelos crimes de homicídio e profanação de cadáver.
Nesse mesmo julgamento, Mariana Fonseca foi absolvida da acusação de homicídio. O tribunal considerou na altura que não existiam provas suficientes da sua participação direta no crime.
Ainda assim, a enfermeira foi condenada a quatro anos de prisão pelo envolvimento na ocultação do cadáver, permanecendo em liberdade.
Relação de Évora alterou a decisão
A decisão inicial acabaria por ser alterada posteriormente. Em julho de 2023, o Tribunal da Relação de Évora reviu o processo e condenou Mariana Fonseca pela prática do homicídio. De acordo com a mesma fonte, a pena aplicada foi a máxima prevista na lei, fixada em 25 anos de prisão.
A defesa apresentou recurso, mas o Tribunal Constitucional confirmou a decisão da Relação. O Supremo Tribunal de Justiça acabou por reduzir a pena final para 23 anos de prisão.
Crime ocorreu em Silves
O homicídio ocorreu em 20 de março de 2020, na casa onde Diogo Gonçalves vivia, em Algoz, no concelho de Silves. Segundo a mesma fonte, o jovem informático mantinha uma relação de proximidade com Maria Malveiro e tinha combinado um encontro com ela nesse dia.
Durante o encontro, a vítima terá ingerido um sedativo misturado numa bebida. De acordo com a publicação, o medicamento teria sido obtido por Mariana Fonseca no hospital onde trabalhava.
O plano para ficar com o dinheiro da vítima
Em tribunal ficou provado que as duas mulheres pretendiam ficar com uma indemnização de cerca de 70 mil euros que Diogo Gonçalves tinha recebido após a morte da mãe. Após o crime, o corpo do jovem foi colocado no porta-bagagens do carro da vítima.
Segundo o Notícias ao Minuto, o corpo foi depois transportado para uma garagem localizada no Chinicato, em Lagos. Nessa casa, o cadáver acabou por ser desmembrado com recurso a um cutelo.
Com a detenção de Mariana Fonseca na Indonésia, as autoridades portuguesas procuram agora concluir o processo judicial, garantindo que a condenada regresse ao país para cumprir a pena de prisão decretada pelos tribunais.
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