Um tsunami com ondas de pelo menos um metro deverá atingir alguma zona do Mediterrâneo nas próximas décadas, segundo uma estimativa divulgada pela UNESCO. O aviso não significa que exista uma ameaça iminente, mas volta a colocar o Algarve entre as regiões portuguesas que devem estar preparadas para um fenómeno raro, rápido e potencialmente devastador.
De acordo com a organização, existe uma probabilidade próxima de 100% de ocorrer pelo menos um tsunami com esta dimensão, algures no Mediterrâneo, durante os próximos 30 a 50 anos. A estimativa tem em conta a atividade sísmica e vulcânica, bem como o historial geológico da região.
A previsão não permite saber quando ou onde ocorrerá o fenómeno. Também não significa que um tsunami esteja prestes a atingir o sul de Portugal, mas reforça a necessidade de preparar as comunidades costeiras para uma ameaça que não pode ser excluída.
Algarve está exposto apesar de não ficar no Mediterrâneo
Embora Portugal não tenha costa mediterrânica, o país integra a região de risco do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo. O Algarve surge entre as zonas potencialmente mais vulneráveis devido à sua extensa linha costeira, às praias, às zonas baixas e à concentração de pessoas junto ao mar.
Um tsunami capaz de afetar o Algarve poderá ser provocado por um sismo de grande magnitude ao largo da costa portuguesa, no golfo de Cádis ou noutras áreas próximas do Atlântico Nordeste.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera integra o sistema internacional de alerta de tsunamis coordenado pela UNESCO e está acreditado para emitir avisos, juntamente com centros de outros países europeus.
Sismo de 1755 continua a recordar o perigo
O principal exemplo histórico é o terramoto de 1 de novembro de 1755, que provocou um tsunami devastador e atingiu com violência várias zonas do litoral português.
O Algarve sofreu graves consequências, com localidades costeiras atingidas pelas ondas e extensas áreas destruídas. Este episódio continua a ser utilizado como referência em exercícios de preparação e resposta a emergências.
Apesar de eventos desta dimensão serem raros, os especialistas alertam que o sul do país não deve ser considerado uma região sem risco. A baixa frequência dos tsunamis não elimina a possibilidade de voltarem a ocorrer.
Estas zonas do Algarve podem ser mais vulneráveis
As áreas costeiras baixas, praias, marinas, estuários e zonas próximas da Ria Formosa poderão estar mais expostas à entrada da água. A vulnerabilidade varia, porém, consoante a origem do tsunami, a intensidade do sismo e a configuração da costa.
Localidades com grande concentração turística poderão enfrentar dificuldades adicionais durante o verão, quando milhares de pessoas permanecem nas praias e muitas desconhecem os percursos de evacuação.
Num cenário gerado perto da costa portuguesa, o intervalo entre o sismo e a chegada das primeiras ondas poderá ser curto. Nestas situações, esperar por um aviso oficial antes de abandonar a praia pode representar uma perda de tempo decisiva.
Recuo repentino do mar é um sinal de perigo
Um tsunami não corresponde necessariamente a uma única onda gigantesca. O fenómeno pode manifestar-se através de várias ondas sucessivas e a primeira pode não ser a mais forte.
Depois de um sismo intenso sentido junto à costa, o recuo súbito e invulgar do mar deve ser interpretado como um sinal natural de alerta. Perante este cenário, as pessoas devem afastar-se imediatamente da praia e procurar um local elevado.
Não se deve aproximar da água para observar ou filmar o fenómeno. Também não é seguro regressar à zona costeira depois da primeira onda, uma vez que outras podem chegar vários minutos depois.
Preparação pode salvar vidas no Algarve
O alerta da UNESCO pretende incentivar os países a reforçarem a monitorização, os sistemas de aviso e os planos de evacuação das populações costeiras.
No Algarve, a sinalização das rotas de fuga, a realização de exercícios e a divulgação de informação junto de residentes e turistas podem reduzir significativamente o número de vítimas.
Não existe atualmente indicação de um tsunami iminente. Ainda assim, conhecer os sinais naturais, abandonar rapidamente a costa e seguir as instruções da Proteção Civil pode fazer toda a diferença perante um fenómeno que, embora raro, poderá voltar a atingir a região.














