Há o mar, o extenso areal, a Ria Formosa e uma pequena viagem de comboio que antecede a chegada à praia. Mas, para Gisela João, existe algo ainda mais difícil de definir quando regressa a Tavira: a sensação de que o tempo passa mais devagar.
A fadista dedicou à Praia do Barril uma crónica publicada no especial Superpraias 2026, do Expresso. No texto, começa por recordar o impacto causado pela primeira visita à cidade algarvia: “A primeira vez que fui a Tavira apaixonei-me”.
Mais do que elogiar apenas a beleza da praia, Gisela João descreve a experiência de chegar ao Barril e a forma como aquele percurso a leva a parar, observar e pensar. O encanto, explica, começa ainda antes de avistar o mar.
Uma viagem que convida a abrandar
O pequeno comboio que liga a zona de Pedras d’El Rei à Praia do Barril ocupa um lugar especial nas memórias da artista. Durante o trajeto, são as aves, a paisagem da Ria Formosa e o próprio cheiro do ar que ajudam a criar uma sensação de pausa.
Para Gisela João, trata-se de um daqueles percursos em que os pensamentos surgem naturalmente. Sem que o passageiro dê por isso, começa a refletir sobre a vida e a olhar para os problemas com outra distância.
É precisamente essa passagem gradual entre a agitação do quotidiano e a tranquilidade da praia que torna a experiência diferente. A chegada ao Barril não acontece apenas quando o comboio para: começa ao longo do caminho, à medida que o ritmo abranda e tudo parece tornar-se mais simples.
Em Tavira, os dias parecem ganhar mais horas
A relação da fadista com esta zona do Algarve não se limita à praia. Gisela João recorda também as estadias em Pedras d’El Rei e a vontade de regressar repetidamente ao mesmo lugar.
Apesar das diferentes visitas, a sensação mantém-se. Sempre que chega a Tavira, sente que o tempo desacelera, “como se os dias, em vez de terem 24 horas, ganhassem mais algumas”.
É uma tranquilidade que a artista admite ser difícil de explicar, embora seja muito fácil de sentir por quem conhece Tavira e a envolvente da Ria Formosa.
A felicidade nas coisas mais simples
Depois do percurso de comboio, há ainda o mar, a dimensão do areal e a paisagem característica da Ria Formosa. Elementos que, para Gisela João, lembram que a felicidade nem sempre depende de experiências extraordinárias.
No final da crónica, a fadista resume a ligação que mantém com Tavira através da sensação que leva consigo em cada partida: regressa sempre porque sente que sai de lá “mais leve” do que quando chegou.
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