A Aviludo-Louletano-Loulé parte para a 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta com Tomas Contte como principal aposta para a conquista de etapas, mantendo igualmente o objetivo de alcançar um lugar no “top 10” da classificação geral, apesar da ausência de Nicolás Tivani, uma das principais figuras da equipa.
O conjunto algarvio não poderá contar com o argentino de 30 anos, vencedor de três etapas e da classificação por pontos nas edições de 2024 e 2025, devido a uma queda. Sem Tivani, a formação volta a privilegiar a luta por triunfos em etapas, através de Tomas Contte, enquanto o espanhol Jesús del Pino, 13.º classificado em 2025, surge como a principal opção para tentar garantir um lugar entre os dez primeiros da geral.
“Temos o Tomas Contte, que também já venceu uma etapa em 2024 e que está a fazer uma época soberba. É ele quem, à partida, mais garantias nos dá. Temos um ciclista que, anualmente, tem tentado um lugar nos 10 primeiros classificados, que é o Del Pino. Os nossos objetivos passam por colocar um ciclista nos 10 primeiros e tentar chegar às vitórias de etapas na Volta a Portugal”, refere à Lusa o diretor desportivo, Américo Silva.
Satisfeito com o percurso “muito bem repartido” da prova, que ligará Lisboa ao Porto ao longo de 1.430 quilómetros, o responsável sublinha que a Aviludo-Louletano-Loulé pretende discutir as etapas realizadas entre 6 e 8 de agosto, no sul do país, teoricamente mais favoráveis a chegadas ao ‘sprint’.
Etapas do sul apontadas aos ‘sprinters’
“A etapa de Sintra vai depender muito da forma como vai ser abordada por equipas que não tenham ‘sprinters’ e os queiram eliminar. Caso não o façam, há uma grande probabilidade de haver chegada em pelotão. A segunda etapa, com chegada a Albufeira, mesmo com duas pequenas dificuldades na parte final, é também adaptada aos ‘sprinters’. A de Elvas é a mais adaptada aos ‘sprinters’”, detalha.
Américo Silva reconhece que, a partir da chegada à Torre, em 9 de agosto, as etapas apresentam “um grau de dificuldade muito grande para qualquer equipa controlar”, perspetivando “muitas fugas”, algumas delas com possibilidades de sucesso.
Convencido de que os ciclistas das sete equipas estrangeiras podem agitar o pelotão, nomeadamente os da Euskaltel-Euskadi, ProTeam espanhola que não vai disputar a Vuelta, entre 22 de agosto e 13 de setembro, e que conta com “ciclistas jovens de grande qualidade”, o diretor desportivo atribui o favoritismo à vitória a Artem Nych, da Anicolor-Campicarn, vencedor em 2024 e 2025, e a Tiago Antunes, da Efapel, devido à temporada que tem realizado.
Artem Nych e Tiago Antunes entre os favoritos
“Há um ciclista que, neste ano, se destacou bastante, que é o Tiago [Antunes]. Tem feito uma época muito regular. É um ciclista que, ao longo dos últimos anos, deu sempre mostras de ser um ciclista para grandes voltas, mas, no final, sempre lhe faltou qualquer coisa. Neste ano, julgo que reúne todas as condições e que ganhou maturidade tática e física”, perspetiva.
Embora as chegadas à Torre e à Senhora da Graça, que será protagonista de uma inédita dupla ascensão, por itinerários diferentes, no penúltimo dia, tenham potencial para fazer “algumas diferenças”, o responsável acredita que os “percursos seletivos” da chegada a Peso da Régua, em 12 de agosto, e da etapa do Gerês também poderão ser decisivos.
Essas jornadas surgem já depois do contrarrelógio entre Anadia e Águeda, agendado para 10 de agosto, a meio da prova e na véspera do dia de descanso, uma das principais novidades desta edição.
“O dia do contrarrelógio, na véspera do dia de descanso, abre muito o ‘leque’ de possibilidades de vencedores no final da Volta. Tem de ser um ciclista que ande bem no contrarrelógio, mas que se defenda bem na alta montanha e tem de ter uma equipa muito consistente para defender essa liderança na última semana”, antevê.
Novo percurso pode alterar dinâmica da Volta
Embora a nova entidade organizadora da Volta a Portugal, a Emesports, tenha disposto de apenas quatro meses para preparar a competição, Américo Silva considera que a empresa espanhola, liderada pelo antigo ciclista Ezequiel Mosquera, pode introduzir “uma mudança muito grande de mentalidade”, que “irá gerar os seus frutos a curto e a médio prazo”, numa corrida que, na sua opinião, se estava a tornar repetitiva.
“Uma das coisas que criticávamos há uns anos a esta parte é que o percurso se tornou demasiado repetitivo. Tanto as chegadas, como todo o percurso em si, e as dificuldades, tornavam-se demasiado repetitivos. Neste ano, o paradigma mudou um pouco”, assinala.
Aviludo-Louletano-Loulé: Tomas Contte (Arg), Jesús del Pino (Esp), Cláudio Leal (Por), André Carvalho (Por), Filipe Francisco (Por), Daniel Viegas (Por) e Jorge Gálvez (Esp).
Diretor desportivo: Américo Silva.
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