A vila de Salir, no concelho de Loulé, volta a transformar-se numa viagem ao passado entre os dias 17, 18 e 19 de julho, com a edição de 2026 do Salir no Tempo dedicada à época romana.
O evento, que decorre na zona histórica da vila, entre as 19:00 e as 02:00, apresenta este ano um vasto programa de animação, gastronomia inspirada na época e novas experiências imersivas, numa aposta que pretende elevar o conceito de recriação histórica e afirmar Salir como território de referência nesta área.
Salir recria a Lusitânia Romana
Realizado anualmente desde 2009, de forma alternada entre a época medieval e a romana, o Salir no Tempo tem como objetivo dar a conhecer ao público o legado histórico-cultural desta povoação do interior do concelho de Loulé.
A edição deste ano parte dos vestígios arqueológicos da Villa romana da Torrinha, na freguesia de Salir, que revelam a existência de uma comunidade integrada na prosperidade económica da Lusitânia Romana.

A descoberta de cerâmicas finas importadas, nomeadamente exemplares de terra sigillata, demonstra que os proprietários locais possuíam um nível de riqueza e estatuto superior ao da generalidade das populações rurais da época, com acesso a bens de prestígio provenientes de importantes centros produtores do Império.
Em 2026, a zona histórica de Salir volta, assim, a recriar uma comunidade rural florescente da Lusitânia Romana, onde proprietários abastados, mercadores, artesãos, agricultores e viajantes conviviam num território marcado pela paz, pela organização e pela riqueza proporcionadas pelo Império.
Mais de 200 momentos de animação
Durante três dias, os visitantes poderão sentir nas ruas da vila a vibração do quotidiano, da economia e dos modos de vida de um território de há quase dois mil anos.
Segundo o Município de Loulé, o Salir no Tempo contará com mais de 200 espetáculos e momentos de animação, envolvendo mais de uma centena de figurantes.
Do programa fazem parte recriações históricas, lutas de gladiadores numa “arena” instalada no recinto, corridas de bigas, espetáculos de dança e música, estátuas vivas, animação itinerante e artesãos a trabalhar ao vivo materiais da época, como a cerâmica.
A gastronomia romana terá também lugar de destaque nas tasquinhas distribuídas pelo recinto, com a organização a procurar recriar pratos assentes em alimentos da época, como pão, azeitonas, carne de caça, fumeiro e conservas, bem como bebidas como cidra, hidromel, infusões, licores e vinho maduro.
Diariamente, pelas 20:30, realiza-se o momento inaugural, com o Grande Cortejo Terra Sigillata.
Circus Maximus e Termas Romanas entre as novidades
A edição de 2026 apresenta várias novidades, entre as quais o Circus Maximus, com a recriação de um Circo Romano que inclui corridas de bigas, demonstrações equestres e combates de gladiadores.
Segundo a organização, trata-se de uma proposta inédita no panorama da recriação histórica portuguesa, pensada para proporcionar ao público uma experiência imersiva inspirada nos grandes espetáculos da Antiguidade.
Outra novidade é a Tenda das Termas Romanas, espaço inspirado no culto romano do bem-estar, do relaxamento e do cuidado do corpo. A proposta pretende oferecer aos visitantes momentos de tranquilidade e uma visão mais abrangente da vida na Roma Antiga, para além dos feitos militares e bélicos.
O programa inclui ainda o espetáculo “O Tesouro da Villa”, cuja narrativa é inspirada nos vestígios arqueológicos da Villa romana da Torrinha e na prosperidade das terras de Salir durante a época romana. A história liga três elementos reais: a Villa da Torrinha, a terra sigillata encontrada nas escavações e a produção de azeite.
A organização convida ainda os visitantes a alugarem um traje da época e a integrarem o cenário romano criado no coração do interior algarvio.
Evento afirma identidade do interior
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, sublinha a importância do Salir no Tempo para a promoção turística, a dinamização da economia do interior e a valorização do património cultural.
“É com muito entusiasmo que vemos a vila de Salir transformar-se, uma vez mais, no palco privilegiado de uma das mais marcantes viagens ao nosso passado. O Salir no Tempo já não é apenas uma recriação histórica de referência, é uma afirmação viva da identidade, da cultura e do legado histórico do interior do nosso concelho e uma celebração da nossa herança multicultural”, afirma o autarca.
“Nestes dias, Salir não só honra as suas raízes e o seu património material e imaterial, como também se posiciona como um polo de atração turística diferenciador, capaz de dinamizar a economia local e de envolver ativamente a comunidade. Temos aqui uma visão global para o território e essa é a aposta que fazemos, diversificar a oferta cultural do concelho. Estamos perante um território que tem a chancela da UNESCO – Geoparque Algarvensis, num ano em iremos apresentar a candidatura a Cidade Portuguesa da Cultura 2028”, acrescenta Telmo Pinto.

Também Francisco André Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Salir, destaca o papel do associativismo local no evento.
“Tal como noutros eventos-âncora nesta freguesia, as associações irão participar em mais uma edição do Salir no Tempo. Esta é também uma fonte de receita para estas associações que, por sua vez, enaltecem o evento”, afirma.
O Salir no Tempo funciona entre as 19:00 e as 02:00. Os bilhetes custam três euros para entrada diária e cinco euros para os três dias.













