A faixa costeira entre Quarteira e o Garrão, no Algarve, vai ser alvo de uma intervenção de grande escala que promete alterar de forma visível o perfil das praias até à próxima época balnear. A obra, anunciada pelo Governo, prevê a alimentação artificial com areia ao longo de vários quilómetros de litoral no concelho de Loulé.
Em causa está um investimento público de quase 15 milhões de euros destinado a reforçar a proteção da orla costeira algarvia, numa zona historicamente marcada pela erosão e pela exposição direta à agitação marítima.
Uma empreitada com impacto visível no areal
De acordo com o jornal Correio da Manhã, a intervenção arranca na próxima segunda-feira, dia 11 de janeiro, e deverá estar concluída antes do início do verão, cumprindo o calendário definido para garantir a utilização plena das praias durante a época balnear.
Segundo a mesma fonte, a obra vai abranger uma extensão de 6,7 quilómetros de frente marítima, entre a praia de Quarteira e a praia do Garrão, prevendo a deposição de cerca de 1,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos.
Mais largura e maior proteção costeira
Escreve o jornal que, no final da empreitada, está previsto um aumento médio de cerca de 37,5 metros na parte emersa do areal, permitindo não só praias mais largas como uma maior capacidade de dissipação da energia das ondas.
Acrescenta a publicação que esta alimentação artificial tem como objetivo mitigar a erosão das arribas e assegurar a estabilidade de todo o troço costeiro intervencionado, reduzindo riscos para pessoas, infraestruturas e equipamentos turísticos.
Salvaguarda ambiental incluída no projeto
A intervenção foi desenhada de forma a evitar impactos negativos no sistema lagunar da Ria Formosa, em particular no sistema de ilhas-barreira situado a sotamar da zona intervencionada.
Conforme a mesma fonte, para avançar com a obra foi necessário realizar um Estudo de Impacte Ambiental e obter a respetiva Declaração de Impacte Ambiental, assegurando o cumprimento das exigências legais em matéria de proteção ambiental.
Plano mais vasto para o litoral algarvio
O Correio da Manhã cita a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que enquadra esta obra num conjunto mais alargado de intervenções em curso no Algarve. “Esta é uma das muitas intervenções que estão já em execução no litoral do Algarve”, afirma a governante.
A responsável enumera outras operações semelhantes, como a da Praia do Vau, em Portimão, a renaturalização da Península do Ancão e a alimentação artificial da Fuzeta e da Ilha da Armona, sublinhando que se trata de obras “fundamentais para o país”.
Concurso internacional e empresa adjudicatária
Importa destacar ainda que o concurso público internacional para esta empreitada foi lançado em setembro de 2025, tendo sido ganho pela empresa Dravosa S.A., responsável pela execução dos trabalhos no terreno.
A intervenção está integrada no Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Santo António, um instrumento estratégico que define as linhas de atuação para a proteção e gestão do litoral nesta região do país.
















