Entre 24 e 26 de julho, realiza-se a Feira da Serra de São Brás de Alportel, este ano, num formato renovado que leva o certame para as ruas, largos e praças do centro da vila, mantendo a tradição serrana e reforçando a ligação ao comércio local.
A edição de 2026 terá entrada gratuita, 17 espaços temáticos e cinco palcos, aos quais se juntam áreas dedicadas à gastronomia, artesanato, mobilidade, sustentabilidade, inovação, juventude e animação para diferentes gerações.

Luís Trigacheiro, Raya Real, A Kind of Queen – Tributo aos Queen, Remember, Super Pop e Sniffy Covers Band estão entre os nomes anunciados para os três dias de programação. O cartaz inclui ainda dezenas de espetáculos de música e dança, folclore, atuações de rua, animação itinerante e projetos culturais da região.
Ao longo de mais de três décadas, a Feira da Serra tem promovido os produtos locais, os saberes tradicionais, a gastronomia e a identidade da Serra do Caldeirão. O Município de São Brás de Alportel considera que a alteração do recinto permite aproximar o evento das pessoas sem comprometer os elementos que o tornaram numa referência regional.
Durante a apresentação pública do certame, a presidente da Câmara Municipal, Marlene Guerreiro, admitiu que esta “não foi uma decisão fácil” e agradeceu a confiança do executivo municipal e da Comissão Organizadora na proposta de manter a Feira, ainda que com um modelo diferente.

“Depois da decisão, o desafio foi conservar a alma da Feira, perceber aquilo que os visitantes mais valorizam, garantindo que o evento continua a reunir os seus ingredientes essenciais. Queremos a nossa Feira fiel às nossas raízes e à nossa gente”, afirmou a autarca.
Marlene Guerreiro sublinhou que produtores locais, artesãos, mestres dos ofícios tradicionais, associações e artistas continuam a assumir um papel central na preservação dos sabores, conhecimentos e características distintivas do território.
Segundo a presidente da autarquia, “esta não é uma feira do antigamente. É uma feira do presente e do futuro”, com capacidade para preservar as raízes, inovar e atrair públicos de todas as idades, nomeadamente os mais jovens.
Centro da vila acolhe 17 espaços temáticos
Pela primeira vez, o centro urbano transforma-se num percurso contínuo onde convivem tradição, gastronomia, música, artesanato, empreendedorismo, tecnologia e animação.
Entre os 17 espaços previstos encontram-se a Aldeia Serrana, o Encontro de Sabores, o Serra Tech, o novo Espaço Mobilidade, o Espaço Ambienta-te e a Street Área, que inclui um Palco Jovem dedicado à apresentação de novos talentos.
O programa integra igualmente zonas destinadas às crianças, aos produtores locais e aos artesãos, além de atividades interativas relacionadas com a sustentabilidade e diferentes soluções de mobilidade para as famílias.

A realização no centro urbano permite tirar partido das intervenções de requalificação promovidas pela autarquia. Segundo o Município, o novo recinto oferece um espaço público mais qualificado, inclusivo e acessível a pessoas de diferentes idades e com necessidades distintas de mobilidade.
A configuração adotada integra também lojas, restaurantes, cafés e outros estabelecimentos na experiência do evento, permitindo que o comércio local beneficie diretamente da afluência esperada.
“Quem visita a Feira, visita a Vila, e quem visita a Vila, volta”, afirmou Marlene Guerreiro.
A entrada gratuita pretende facilitar o acesso das famílias e incentivar o público a regressar ao recinto em diferentes momentos dos três dias.
Verbas canalizadas para reparação da rede viária
A alteração do formato está igualmente relacionada com a necessidade de reforçar o investimento na recuperação da rede viária municipal, em particular da Estrada Municipal 1202, afetada pelas intempéries.
A autarquia decidiu reduzir significativamente o investimento na Feira da Serra e canalizar parte dos recursos para assegurar acessos seguros e adequados às populações do interior do concelho.
“Entre defender a Serra, adiar a reparação de uma estrada de que as pessoas dependem todos os dias e ajustar o formato de um evento, a escolha foi clara. As prioridades de um município medem-se nos momentos difíceis, e a nossa prioridade são as pessoas”, explicou Marlene Guerreiro.
A presidente acrescentou que “ajustar não é desistir. A Feira da Serra realiza-se. Realiza-se com alma, com identidade e com a qualidade que lhe reconhecem milhares de visitantes, ano após ano”.
A realização da edição de 2026 conta ainda com o apoio de municípios do Algarve e do Baixo Alentejo, que disponibilizaram equipamentos e materiais. De acordo com a autarquia, esta colaboração permitiu diminuir os custos da organização.
A vereadora Mónica Inácio, responsável pelas questões logísticas na Comissão Organizadora, reconheceu que a mudança representa um desafio operacional e poderá originar alguns constrangimentos, sobretudo na circulação automóvel.
A responsável garantiu, contudo, que foram preparadas medidas destinadas a reduzir os impactos para moradores, comerciantes e visitantes. Mónica Inácio afirmou que “acreditamos que em cada desafio vai existir uma nova oportunidade”, apontando a valorização do comércio local como uma das principais vantagens do modelo adotado.
Orçamento reduzido para cerca de 150 mil euros
O vice-presidente da Câmara Municipal, Pedro Ornelas, explicou que a organização definiu como objetivo realizar o evento com cerca de um quinto do orçamento habitual, limitando o investimento a um valor não superior a 150 mil euros.
A redução obrigou a reformular estruturas, logística e programação artística, privilegiando soluções consideradas mais sustentáveis e equilibradas.
Pedro Ornelas destacou também a colaboração de artistas que aceitaram atuar gratuitamente ou reduzir significativamente os respetivos cachets, bem como o reforço do apoio de empresas e marcas patrocinadoras.

O presidente da Assembleia Municipal, Vítor Guerreiro, considerou que a opção do executivo “foi um ato de coragem, mas foi a decisão certa”.
O responsável recordou a importância da Feira da Serra para a visibilidade do concelho e para o impacto económico, social e turístico gerado durante o evento e ao longo do ano.
Apesar da mudança, o certame mantém como pilares os produtos serranos, a gastronomia, o artesanato, os ofícios tradicionais, a música, a inovação e a hospitalidade local.
Segundo o Município de São Brás de Alportel, esta será uma edição “diferente no formato, igual na alma”, concebida para demonstrar que é possível reinventar um dos maiores eventos algarvios sem perder a sua identidade.
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