A Fundação Manuel Viegas Guerreiro (FMVG) inaugura esta sexta-feira, às 16:00, no edifício-sede da Fundação, em Querença, a exposição “Fios da Memória: do crochet cotidiano tradicional ao artístico contemporâneo”, uma mostra que resulta do trabalho desenvolvido com a comunidade local.
A exposição dá a conhecer peças que emergem “dos baús e caixas de madeira das casas dos residentes de Querença”, de onde “saem memórias, arte e património tradicional da serra e do barrocal algarvios”.
Sobre o projeto, Ana Poeta, colaboradora da FMVG, sublinha que “desde sempre que os fios são expressão de metodologia, união, ligação. O ‘crochet’ integra o universo dos saberes tradicionais transmitidos, sobretudo no espaço doméstico”.
Acrescenta ainda que “as peças aqui reunidas revelam práticas, ritmos, memórias e estéticas do cotidiano tradicional de Querença, dialogando com os estudos desenvolvidos pelo patrono da Fundação, o Professor Manuel Viegas Guerreiro”.
Projeto ‘Ponto a Ponto’ une comunidade e solidariedade
A mostra resulta do projeto artístico participativo ‘Ponto a Ponto’, desenvolvido ao longo de 2025, no âmbito da missão da Fundação e do FLIQ – Festival Literário Internacional de Querença. Este projeto esteve na origem de uma manta comunitária oferecida à escritora Lídia Jorge, durante a homenagem que lhe foi prestada no FLIQ.
‘Ponto a Ponto’ contou com o apoio do programa “Ideias a Atos”, iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian. Os encontros prolongaram-se no tempo e deram origem à criação de novas mantas, que serão vendidas na Festa de São Luís, a 1 de fevereiro, revertendo o valor angariado para a Associação Bem Estar dos Amigos de Querença.
Testemunhos destacam impacto humano e comunitário
O presidente da Fundação, João Silva Miguel, destaca que “esta ligação à comunidade, às origens e à memória é essencial do ponto de vista da Fundação”, sublinhando o impacto social do projeto e a importância do trabalho coletivo.
Vários participantes realçam também o valor terapêutico e humano da iniciativa. Jesus Dias afirma que “o convívio é muito importante mas estes encontros também são uma terapia”, enquanto Hortense Inácio considera que “as sessões valem mais que um frasco de comprimidos”. Outros testemunhos reforçam a dimensão emocional, criativa e comunitária do projeto.
A inauguração da exposição tem entrada livre, é dirigida a todos os públicos e conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Junta de Freguesia de Querença.
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