Com a chegada dos dias mais quentes, muitas pessoas voltam a pegar no protetor solar que ficou esquecido numa gaveta, numa mochila de praia ou no fundo de um armário desde o verão anterior. À primeira vista, pode parecer uma forma prática de evitar desperdícios, mas a eficácia do produto pode já não ser a mesma. A questão não está apenas na data inscrita na embalagem, mas também na forma como foi armazenado ao longo do tempo.
De acordo com a Mayo Clinic, instituição de referência na área da saúde e da investigação médica, citada pela revista Women´s Health, a maioria dos protetores solares tem um prazo de validade de cerca de três anos. Depois desse período, os ingredientes ativos começam a degradar-se, o que pode comprometer a capacidade do produto para proteger a pele dos efeitos da radiação ultravioleta.
O que acontece quando o protetor perde eficácia
Embora a embalagem possa parecer intacta, os componentes responsáveis pela proteção solar não mantêm indefinidamente as suas propriedades. Com o passar do tempo, especialmente se o produto não for conservado nas condições adequadas, a sua fórmula pode sofrer alterações que reduzem a proteção oferecida.
Por essa razão, os especialistas recomendam verificar regularmente a data de validade antes da utilização. Quando essa informação não está visível ou já desapareceu da embalagem, uma solução simples passa por anotar a data de compra no momento da aquisição, facilitando o controlo da sua utilização ao longo dos anos.
A aparência do produto também pode fornecer alguns sinais de alerta. Alterações na textura, na cor ou no odor podem indicar que a fórmula já não se encontra nas melhores condições para garantir a proteção inicialmente prevista.
Onde guarda o protetor faz toda a diferença
A durabilidade de um protetor solar não depende apenas do tempo. As condições de armazenamento têm igualmente um papel determinante na preservação das suas características.
Locais sujeitos a temperaturas elevadas podem acelerar a degradação dos ingredientes ativos. É por isso que deixar o protetor durante horas dentro do automóvel, exposto ao calor, ou junto a uma janela onde recebe luz solar direta não é considerado adequado.
O recomendado é guardar estes produtos em ambientes frescos e arejados, protegidos da exposição prolongada ao calor e à luz. Desta forma, é possível preservar melhor a sua eficácia durante o período de validade indicado pelo fabricante.
Aplicar não basta. É preciso reaplicar
A utilização correta do protetor solar continua a ser um dos principais desafios na prevenção dos danos provocados pelo sol. Mesmo quando o produto se encontra em perfeitas condições, a proteção pode ser insuficiente se não existir uma aplicação adequada.
O uso diário e a renovação regular da aplicação são apontados como medidas fundamentais para manter a pele protegida ao longo do dia. Ainda assim, os comportamentos adotados por muitos portugueses estão longe das recomendações dos especialistas.
Segundo dados divulgados pelo Serviço Nacional de Saúde, com base em informação da Liga Portuguesa Contra o Cancro, 53% dos portugueses apenas aplicam protetor solar quando já sentem a pele a queimar. Além disso, 40% não renovam a aplicação ao longo do dia. Segundo a mesma fonte, a adoção de hábitos de proteção mais consistentes poderá contribuir para evitar parte dos cerca de 10 mil novos casos de cancro da pele registados anualmente, um problema que continua a preocupar as autoridades de saúde e os especialistas da área.















