Uma divisão onde entra demasiada luz durante a manhã, um quarto sem estores ou uma janela diretamente exposta ao sol podem tornar-se um problema, sobretudo no verão. Entre as soluções improvisadas utilizadas em diferentes países está uma que exige pouco mais do que um produto presente em muitas cozinhas: papel de alumínio colocado sobre a janela.
Embora seja frequentemente apresentado como um truque para ajudar a proteger a casa do calor, existe outro efeito imediato: o alumínio não deixa praticamente passar luz, podendo transformar temporariamente uma janela num verdadeiro blackout sem ser necessário instalar cortinas ou estores próprios. A equipa científica da organização britânica Which? refere mesmo que esta solução “bloqueia completamente toda a luz natural”.
Papel de alumínio cria um blackout quase imediato
Ao contrário de uma cortina convencional, que pode continuar a permitir a passagem de alguma luminosidade pelas laterais ou através do tecido, uma superfície opaca de alumínio que cubra toda a área da janela impede a passagem da luz.
O efeito já foi observado na prática. Durante a forte onda de calor que atingiu o Reino Unido em 2022, o The Independent relatou o caso de uma mulher que começou por experimentar papel de alumínio convencional nas janelas. A solução produziu aquilo que descreveu como um “total blackout”, embora tenha acabado por procurar uma alternativa que permitisse entrar alguma luminosidade.
Por isso, o truque pode ser particularmente útil de forma temporária em quartos onde se pretende dormir durante o dia, divisões muito iluminadas ao nascer do sol ou casas onde não existem persianas nem cortinas blackout. O custo dependerá naturalmente da dimensão do vidro e da quantidade de material necessária, mas continua a recorrer a um produto doméstico muito mais barato do que instalar um sistema permanente.
Existe outra vantagem quando o sol bate diretamente na janela
O blackout não é, contudo, a razão pela qual este truque se tornou especialmente conhecido. Durante períodos de calor intenso, o alumínio também pode funcionar como barreira refletora à radiação solar.
O vidro permite que uma parte significativa da energia solar atravesse a janela. Depois de entrar numa divisão, essa energia é absorvida pelo chão, pelas paredes e pelo mobiliário e transforma-se em calor. O papel de alumínio tem uma superfície altamente refletora e consegue devolver uma parte dessa radiação antes de esta contribuir para o aquecimento do interior.
A solução é suficientemente reconhecida para surgir num guia do Lawrence Berkeley National Laboratory, laboratório de investigação ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos. O documento dedicado a formas económicas de proteger as janelas durante episódios de calor extremo inclui expressamente o papel de alumínio entre as alternativas temporárias e acessíveis.
O mesmo guia coloca as soluções instaladas no exterior da janela entre as que oferecem maior proteção contra o ganho de calor solar. Ou seja, quando o objetivo não é apenas obter blackout, mas também impedir que a divisão aqueça, há um pormenor importante na forma como o alumínio é colocado.
Truque está a ser cada vez mais utilizado durante o calor
A utilização de papel de alumínio nas janelas tem vindo a ganhar maior visibilidade em períodos de temperaturas elevadas. O jornal argentino El Cronista escreveu, a 28 de julho, que “cada vez mais pessoas” estavam a cobrir os vidros com este material durante a onda de calor e destacou a multiplicação de imagens de casas onde a solução tinha sido adotada.
A publicação relaciona a crescente utilização do método com a procura de alternativas simples para enfrentar temperaturas muito elevadas dentro das habitações. Em cidades como Paris, onde os termómetros ultrapassaram os 40 graus durante episódios de calor extremo, foram vistas várias janelas cobertas com superfícies refletoras numa tentativa de limitar a entrada da radiação solar.
Papel de alumínio deve ficar por dentro ou por fora da janela?
Se a intenção é reduzir a entrada de calor, é preferível colocar a barreira refletora no exterior, sempre que isso possa ser feito em segurança. Desta forma, a radiação solar encontra primeiro o alumínio e uma parte é refletida antes sequer de atravessar o vidro.
Esta explicação é também dada pelo arquiteto francês Vincent Parasie. Numa entrevista à La Vanguardia a propósito das janelas cobertas de alumínio vistas em Paris durante uma onda de calor, o arquiteto explicou que o material é normalmente colocado na face exterior para funcionar como uma espécie de “espelho térmico”.
A Which? faz a mesma recomendação e acrescenta outra razão: colocar materiais refletores de forma inadequada no interior de determinados vidros pode contribuir para stress térmico, aumentando o risco de fissuração. A organização recomenda ainda verificar se qualquer película ou material aplicado é compatível com o tipo de vidro existente.
Isto é especialmente relevante em vidros duplos, vidros com revestimentos de baixa emissividade, vidros com controlo solar ou superfícies com tratamentos especiais. Nestes casos, não é aconselhável improvisar uma aplicação permanente diretamente sobre o vidro sem consultar as recomendações do fabricante.
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