A conservação dos alimentos exige um equilíbrio entre a segurança alimentar e o consumo energético dos eletrodomésticos. Uma prática aparentemente inofensiva pode alterar temporariamente a temperatura dentro do frigorífico, obrigando o aparelho a gastar mais energia para recuperar os níveis de frio definidos.
Um dos comportamentos que pode ter esse efeito é guardar alimentos ainda muito quentes. Num artigo dedicado a melhorar a eficiência destes aparelhos, o portal tecnológico Tom’s Guide explica que a temperatura interior sobe quase imediatamente quando é introduzida comida quente.
O frigorífico precisa então de funcionar durante mais tempo para regressar à temperatura selecionada. O efeito será mais significativo quando se coloca no interior uma panela grande ou vários recipientes quentes em simultâneo.
O que dizem os fabricantes
A Bosch aconselha a deixar os alimentos perderem o excesso de calor antes da refrigeração. Segundo a marca, uma refeição muito quente pode elevar a temperatura dos restantes produtos e provocar condensação dentro do aparelho.
A LG apresenta uma recomendação semelhante. O vapor libertado pelos alimentos quentes aumenta a humidade e pode favorecer a formação de gelo, sobretudo quando existem outros problemas, como vedações danificadas ou aberturas frequentes da porta.
Não existe, contudo, um período de espera único para todos os frigoríficos e quantidades de comida. O manual do respetivo modelo deve ser consultado, sendo importante distinguir uma pequena porção ainda morna de uma panela acabada de retirar do fogão.
Segurança alimentar e zona de risco
Deixar a comida arrefecer não significa mantê-la várias horas sobre a bancada. Os alimentos perecíveis atravessam uma faixa de temperatura, aproximadamente entre os 5 ºC e os 60 ºC, na qual determinados microrganismos conseguem multiplicar-se mais rapidamente.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos recomenda que os alimentos cozinhados sejam refrigerados no prazo máximo de duas horas. A mesma autoridade esclarece que pequenas quantidades quentes podem entrar diretamente no frigorífico, desde que sejam acondicionadas corretamente.
Como arrefecer de forma correta
Uma panela grande de sopa, arroz ou estufado deve ser dividida em recipientes pequenos e pouco profundos. Desta forma, o calor dissipa-se mais depressa e o centro dos alimentos não permanece demasiado tempo a uma temperatura favorável ao desenvolvimento de bactérias.
Também pode ser utilizado um banho de água fria ou com gelo para acelerar o processo. Os alimentos devem ficar protegidos contra contaminações, mas um recipiente grande, muito quente e completamente fechado demorará mais tempo a arrefecer.
O especialista em cozinhas Ryan Adnams, citado pelo Tom’s Guide, acrescenta que alimentos e líquidos destapados libertam mais humidade dentro do frigorífico. Esse aumento obriga o compressor a trabalhar durante mais tempo e pode permitir a transferência de odores ou a contaminação entre produtos.
Impacto energético
Guardar repetidamente grandes quantidades de comida muito quente aumenta temporariamente o esforço do frigorífico e o consumo de eletricidade. A solução passa por deixar sair o calor mais intenso durante alguns minutos, dividir a comida e refrigerá-la sem ultrapassar o limite de duas horas.
A recomendação do Tom’s Guide está relacionada sobretudo com a eficiência energética e não deve ser interpretada como uma proibição absoluta de colocar alimentos ainda mornos no frigorífico.
Leia também: Bombeiros alertam: não deixe estes 3 eletrodomésticos ligados enquanto dorme















