O património cultural marítimo e subaquático do estuário do rio Arade, nos concelhos de Portimão e Lagoa, está a ser alvo de uma nova campanha arqueológica destinada a caracterizar e monitorizar vestígios de naufrágios pertencentes a diferentes períodos históricos, no âmbito do projeto MUSA – Musealização dos achados arqueológicos do fundo do rio Arade.
Com um investimento de 3,4 milhões de euros, financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o projeto reúne várias intervenções orientadas para a investigação, conservação e valorização deste património.

Segundo a organização, o MUSA “prevê um conjunto de intervenções destinadas a transformar o património arqueológico subaquático do Arade num recurso para a ciência, educação, cultura e turismo sustentável”.
O projeto resulta de uma parceria entre as câmaras municipais de Lagoa e Portimão, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), do Património Cultural, I.P., e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve).
Naufrágios da época romana ao século XX
A atual campanha decorre até 4 de outubro e concentra-se, entre outras áreas, nos sítios Arade B e Leixão da Gaivota, onde têm sido identificados vestígios de naufrágios que remontam à época romana e se prolongam até à época moderna.
De acordo com o comunicado, estas zonas são “reconhecidas como importantes ancoradouros com mais de dois mil anos de história”.
Os trabalhos abrangem ainda vários outros sítios arqueológicos, incluindo o Geo 1, com vestígios atribuídos à época romana, o Arade 1, datado do século XVI, e os Geo 5 e Arade 23, do século XIX.
Será igualmente estudada a canhoneira Faro, navio da Armada Portuguesa que naufragou em 1912 e que constitui, entre os contextos arqueológicos analisados nesta campanha, o mais recente.
Projeto junta municípios, universidades e entidades nacionais
Além das quatro entidades responsáveis pelo projeto, o MUSA conta com a participação da Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património, e da Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades.
Participam igualmente a Administração dos Portos de Sines e do Algarve e a Marina de Portimão, estando ainda envolvidos o Centro de Mergulho PortiSub e a Capitania do Porto de Portimão.
Entre as iniciativas previstas estão a reformulação do núcleo de arqueologia marítima e subaquática do Museu de Portimão, a criação de um núcleo museológico em Lagoa e a instalação de uma reserva subaquática visitável.
O programa inclui também uma exposição nas margens do Arade, a criação de um Museu Virtual e ações de divulgação dirigidas às comunidades locais. Segundo o comunicado, pretende-se ainda “capacitar a região para a gestão e conservação do património cultural arqueológico marítimo e subaquático”.
Arade é uma das zonas de maior sensibilidade arqueológica do país
A área do rio Arade e a respetiva envolvente marítima concentram dezenas de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais, constituindo, segundo as entidades responsáveis pelo projeto, uma das zonas de maior sensibilidade arqueológica do país.
O objetivo do MUSA passa por reforçar a salvaguarda e conservação destes vestígios e, simultaneamente, valorizar a ligação histórica das populações ao território.
De acordo com o comunicado, o projeto pretende “contribuir para a salvaguarda e conservação dos sítios arqueológicos e para o reforço da atratividade da região, valorizando a relação histórica das comunidades com o rio e o mar”.
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