Apesar de terem vários espaços disponíveis, muitos felinos acabam por dormir junto às pernas, sobre o peito ou até na almofada do dono. A escolha do local onde repousam pode revelar que os gatos se sentem protegidos, procuram calor e reconhecem naquela pessoa uma presença de confiança.
A explicação ganhou destaque num artigo publicado pelo jornal britânico The Mirror, que reuniu diferentes interpretações para este comportamento.
Embora algumas sejam apresentadas de forma afetiva nas redes sociais, há também razões relacionadas com a segurança, o calor e a ligação social.
Momento em que o gato fica mais vulnerável
Os gatos conservam comportamentos herdados dos seus antepassados selvagens. Apesar de serem predadores, também podem ocupar a posição de presa perante animais maiores, tornando o período de sono particularmente vulnerável.
Por esse motivo, tendem a escolher locais onde se sentem protegidos e conseguem controlar o ambiente envolvente. Uma cama elevada, quente e ocupada por uma pessoa conhecida pode reunir todas essas condições.
No vídeo divulgado pela mesma fonte, a tutora dos gatos Oreo e Pumpkin Spice defende que, ao escolher a cama todas as noites, o animal está a tomar uma decisão baseada na confiança. Dormir encostado ao tutor indicaria, segundo esta interpretação, que o considera parte do seu espaço seguro.
Confiança pode explicar esta escolha
Um gato dificilmente entra num estado de repouso profundo num local onde se sente ameaçado. Ao aproximar-se de alguém para dormir, demonstra que tolera ficar menos atento ao ambiente na presença dessa pessoa.
A organização britânica Cats Protection confirma que os gatos que dormem encostados aos tutores podem estar a reforçar uma ligação social. Os felinos que mantêm uma relação próxima entre si também costumam descansar em contacto direto ou com os corpos entrelaçados.
O gato está realmente a vigiar o tutor?
A autora do vídeo citado pela publicação britânica afirma que o gato permanece parcialmente atento aos sons e à entrada do quarto enquanto o tutor dorme.
A ideia de que está deliberadamente a “proteger” a pessoa deve, contudo, ser encarada como uma interpretação e não como uma conclusão científica.
Os gatos alternam períodos de sono leve e profundo, pelo que podem reagir rapidamente a ruídos, movimentos ou alterações no ambiente. Esta vigilância está sobretudo relacionada com os seus próprios instintos de sobrevivência.
Calor e conforto também contam
O corpo humano liberta calor e transforma a cama num espaço particularmente agradável, sobretudo durante os meses mais frios.
Segundo a Cats Protection, a procura de calor é uma das principais razões pelas quais estes animais dormem sobre ou junto das pessoas. O mesmo comportamento pode ser observado quando escolhem zonas com exposição solar, mantas ou locais próximos de fontes de aquecimento.
A cama também costuma estar elevada em relação ao chão, permitindo ao gato observar melhor o quarto. Esta posição pode transmitir segurança e oferecer, ao mesmo tempo, uma superfície macia e protegida.
Cama pode ser considerada parte do território
Os gatos desenvolvem uma relação territorial com os espaços que utilizam regularmente. Como passam várias horas na cama e deixam nela o seu odor, podem começar a reconhecê-la como parte do próprio território.
Dormir no mesmo local que o tutor também mistura os odores de ambos, ajudando a consolidar a familiaridade. Isto não significa propriamente que o gato considere a cama uma propriedade exclusiva, mas demonstra que aquele espaço faz parte da sua rotina.
Quando se deita sobre as pernas ou o peito, o animal pode estar simultaneamente a procurar calor, contacto e uma posição estável. O significado do comportamento deve ser avaliado juntamente com outros sinais, como a postura corporal, o ronronar e a procura voluntária de proximidade.
Gatos passam grande parte do dia a dormir
Um gato pode dormir aproximadamente entre 12 e 18 horas por dia, embora o tempo varie com a idade, o estado de saúde e o nível de atividade. Como o sono ocupa uma parte significativa do quotidiano, é normal que utilize vários locais da casa.
Os animais mais jovens ou ativos tendem a intercalar o descanso com momentos curtos de elevada energia. Já os gatos idosos podem permanecer adormecidos durante períodos mais prolongados.
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