A rotina diária no local de trabalho pode estar prestes a mudar drasticamente com a introdução de uma inovação que promete escutar cada interação. O seu patrão poderá agora ter acesso a uma ferramenta invisível que recorre à inteligência artificial para avaliar a simpatia dos funcionários durante o horário laboral. O mecanismo de controlo atua diretamente nos ouvidos dos trabalhadores e regista o tom das conversas para enviar relatórios detalhados às chefias.
A revelação desta tecnologia de monitorização está a ser testada pela famosa cadeia de comida rápida Burger King nos seus estabelecimentos. A informação é avançada pelo The Verge, um prestigiado portal norte americano especializado em jornalismo de tecnologia e inovação digital. A empresa dotou os auscultadores das equipas de atendimento com uma assistente virtual desenhada especificamente para escrutinar o comportamento humano.
O sistema informático assume a forma de uma voz interativa batizada de Patty que acompanha os operadores ao longo de todo o turno. Esta plataforma cruza informações das faixas de rodagem para carros, dos equipamentos de cozinha e do próprio atendimento presencial nas caixas registadoras.
O escrutínio de cada palavra dita
O responsável máximo pelo departamento digital da cadeia de restaurantes confirmou que o modelo foi treinado com base em diretrizes de franchisados e clientes. A máquina de inteligência artificial aprendeu a reconhecer expressões de cortesia específicas como por favor, obrigado e a saudação inicial de boas vindas.
Indica a mesma fonte que a administração encara este mecanismo como um instrumento de formação contínua e não apenas como uma métrica punitiva. A tecnologia encontra se neste momento a ser aperfeiçoada para conseguir captar e interpretar também o tom de voz utilizado nas conversas diárias.
Os dados recolhidos ao segundo ficam imediatamente disponíveis para os gerentes de cada loja consultarem nos seus computadores. Os responsáveis podem questionar a plataforma sobre o nível de educação e a prestação geral da sua equipa durante os picos de maior afluência.
A gestão das cozinhas ao segundo
A plataforma central desenvolvida com o apoio da empresa OpenAI serve para muito mais do que a simples avaliação do comportamento humano. Os trabalhadores podem utilizar os microfones para perguntar à assistente virtual a quantidade exata de ingredientes que um determinado hambúrguer necessita.
O sistema dita as receitas passo a passo e fornece também instruções precisas sobre como limpar as máquinas de batidos de forma correta. Esta ajuda áudio permanente visa reduzir a margem de erro na confeção e agilizar a integração de novos elementos na cozinha.
Explica a referida fonte que a assistente virtual comunica diretamente com o sistema de vendas na nuvem para reportar falhas de forma automática. Se um equipamento avariar ou um ingrediente esgotar, a tecnologia atualiza os painéis digitais dos clientes em menos de quinze minutos.
O atraso nas encomendas automáticas
Apesar deste avanço tecnológico no interior das instalações, a marca de restauração mantém uma postura cautelosa quanto à automatização total do atendimento exterior. A substituição integral de humanos por robôs de voz nas vias de recolha para automóveis ainda não é uma prioridade imediata.
A direção digital assume que a passagem total das encomendas para o controlo mecânico constitui uma aposta financeira e comercial demasiado arriscada. A justificação prende se com o facto de uma grande percentagem de consumidores ainda não se encontrar preparada para interagir exclusivamente com máquinas.
A fase de testes com tecnologia autónoma nas janelas para carros decorre de forma muito controlada e restrita a nível geográfico. A empresa limitou esta experiência sem intervenção humana a menos de uma centena de restaurantes em todo o território.
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