As plataformas de streaming têm vindo a procurar novas formas de aumentar o número de espectadores e, ao mesmo tempo, diversificar as receitas para além das tradicionais subscrições mensais. A publicidade ganhou espaço neste setor nos últimos anos e poderá agora abrir caminho a uma mudança ainda mais significativa no modelo utilizado por algumas das maiores empresas do mercado, como a Netflix.
A Netflix admite a possibilidade de, no futuro, disponibilizar um plano totalmente gratuito financiado por publicidade em determinados mercados, permitindo aos utilizadores assistir a parte dos seus conteúdos sem pagar uma mensalidade.
A hipótese foi abordada por Greg Peters, co-CEO da Netflix, durante a apresentação dos resultados da empresa aos investidores em julho. Segundo o responsável, citado pela empresa americana Forbes, um serviço gratuito suportado por anúncios poderá fazer sentido em alguns mercados caso o negócio publicitário da plataforma alcance uma dimensão suficiente para financiar esse modelo.
Netflix admite plano gratuito com publicidade
A possibilidade está, contudo, longe de significar que a empresa tenha decidido avançar com o lançamento. Um dos riscos analisados pela Netflix passa precisamente pela possibilidade de um serviço gratuito levar alguns atuais subscritores a abandonar os planos pagos.
Por esse motivo, uma eventual modalidade sem mensalidade teria de ser suficientemente diferente das subscrições existentes e estar disponível sobretudo em mercados onde as receitas de publicidade fossem capazes de compensar a ausência dos pagamentos mensais.
A publicidade já faz parte da estratégia da Netflix em vários países. A empresa começou a desenvolver o seu plano mais económico com anúncios em 2022, numa parceria tecnológica e comercial com a Microsoft.
Objetivo passa por aumentar horas de visualização
A estratégia enquadra-se numa transformação mais ampla da atividade da Netflix, que procura aumentar o número de horas que cada utilizador passa dentro da plataforma. Quanto maior for o tempo de visualização, maior poderá também ser a quantidade de publicidade apresentada e, consequentemente, a receita obtida através dos anunciantes.
A empresa explica que, nos mercados onde existem experiências com publicidade, a maioria das séries e filmes apresenta pequenos intervalos comerciais antes ou durante os conteúdos. Existem, contudo, alguns títulos que ficam indisponíveis devido a restrições relacionadas com licenciamento.
Os anúncios também não podem geralmente ser avançados ou ignorados, embora possam existir diferenças consoante o conteúdo apresentado.
Procura por novos conteúdos para prender espectadores
O crescimento das receitas publicitárias poderá igualmente justificar uma aposta em formatos capazes de gerar muitas horas de consumo com custos de produção relativamente reduzidos.
Entre as áreas que a empresa tem explorado encontram-se novos formatos de vídeo, conteúdos associados a estilos de vida, podcasts e projetos que recorrem a ferramentas de inteligência artificial durante determinadas fases de produção.
A plataforma tem ainda procurado ampliar as parcerias de distribuição e a presença de transmissões em direto, aproximando progressivamente o seu modelo de algumas características tradicionalmente associadas à televisão. Aliás, a própria esclarece que os eventos transmitidos em direto podem incluir publicidade mesmo em determinadas experiências sem anúncios.
Streaming gratuito aproxima plataformas da televisão tradicional
Uma modalidade financiada exclusivamente através de publicidade representaria uma alteração importante num mercado que durante vários anos foi construído praticamente apenas em torno das subscrições. Na prática, o utilizador deixaria de pagar diretamente pelo acesso, enquanto as marcas financiariam parte ou a totalidade do serviço através dos anúncios apresentados durante a utilização da plataforma.
Este tipo de modelo já é utilizado por outros serviços de streaming e poderá tornar-se particularmente relevante em países onde o preço das subscrições constitui uma barreira à entrada de novos clientes. Para a Netflix, permitir o acesso gratuito poderia ainda funcionar como uma forma de atrair novos espectadores e, posteriormente, converter uma parte desses utilizadores em clientes dos planos pagos.
Disney também estuda uma modalidade gratuita
A Netflix não é a única grande empresa do entretenimento a analisar esta possibilidade. A Disney também admitiu estar a explorar um produto gratuito suportado por publicidade, numa altura em que as grandes plataformas procuram aumentar simultaneamente audiência e receitas provenientes dos anunciantes.
Um dos objetivos poderá passar por chegar a consumidores que atualmente não estão dispostos ou não conseguem suportar mais uma mensalidade de streaming. Posteriormente, parte desses utilizadores poderá optar por migrar para serviços pagos com mais funcionalidades ou menos publicidade.
Em Portugal, Netflix continua a ser paga
Para os consumidores portugueses, porém, não existe atualmente qualquer anúncio oficial de que um eventual plano gratuito da Netflix venha a ser disponibilizado em Portugal.
A página portuguesa da plataforma continua a apresentar apenas modalidades pagas, com preços que atualmente variam entre 8,99 € e 17,99 € por mês.
O plano Base custa 8,99 € por mês, o Standard está disponível por 12,99 € e o Premium apresenta uma mensalidade de 17,99 €, segundo os valores atualmente apresentados pela própria Netflix em Portugal.
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