A tendência global na aviação comercial aponta cada vez mais para a conetividade total a bordo, com várias companhias de bandeira a investirem milhões para garantir que os passageiros se mantêm online a trinta mil pés de altitude. No entanto, a maior companhia aérea de baixo custo da Europa decidiu remar contra a maré e rejeitar uma parceria que parecia inevitável no setor tecnológico. A decisão prende-se com cálculos matemáticos rigorosos sobre a eficiência das aeronaves e não com a qualidade do serviço.
A Ryanair descartou oficialmente a possibilidade de equipar a sua frota com o serviço de internet via satélite Starlink, propriedade do magnata Elon Musk. De acordo com a Reuters, agência noticiosa global que falou com o líder da empresa, a recusa baseia-se no impacto negativo que a instalação teria nos custos operacionais da companhia.
O diretor executivo da transportadora, Michael O’Leary, foi perentório ao explicar que a tecnologia traria desvantagens económicas imediatas. A instalação das antenas necessárias para captar o sinal de satélite alteraria a aerodinâmica dos aviões, resultando num aumento do consumo que a empresa não está disposta a suportar.
O problema da antena na fuselagem
A questão central levantada pela gestão da companhia irlandesa é puramente física e financeira. Para que o sistema funcione, é necessário acoplar equipamentos no exterior da aeronave que interferem com a sua performance durante o voo.
Indica a mesma fonte que a colocação da antena na fuselagem acarreta uma penalização de dois por cento no consumo de combustível devido ao peso extra e ao arrasto aerodinâmico criado. Para uma empresa cujo modelo de negócio depende de margens reduzidas e eficiência máxima, este custo adicional é considerado proibitivo.
Viagens demasiado curtas
Além das questões técnicas, existe um argumento comercial que sustenta esta rejeição. A administração da transportadora aérea acredita que o perfil do seu cliente habitual não valoriza este serviço o suficiente para justificar o investimento e o aumento dos bilhetes.
Explica a referida fonte que a duração média dos voos da companhia é de apenas uma hora. Michael O’Leary defende que os passageiros não estão dispostos a pagar pelo acesso a Wi-Fi num trajeto tão curto, tornando a implementação do sistema financeiramente inviável do ponto de vista da receita.
A concorrência segue outro caminho
A postura da low-cost irlandesa contrasta vivamente com as decisões recentes tomadas por alguns dos seus principais concorrentes europeus. Enquanto a Ryanair foca na poupança de combustível, outras transportadoras veem na internet a bordo uma vantagem competitiva essencial.
A Lufthansa anunciou recentemente um acordo para instalar o sistema Starlink nas suas aeronaves, procurando modernizar a experiência de voo. Da mesma forma, a companhia escandinava SAS optou por este fornecedor no ano passado, alegando curiosamente que o arrasto aerodinâmico do sistema era inferior ao das opções rivais de conectividade.
Custos versus benefício
A divergência de estratégias evidencia as diferentes prioridades entre as companhias de serviço completo e as operadoras de baixo custo. Para a empresa liderada por O’Leary, qualquer alteração que adicione peso ou resistência ao ar é vista como um inimigo da rentabilidade.
Explica ainda a Reuters que a decisão reafirma o compromisso da transportadora em manter os custos o mais baixos possível. A recusa em aderir à constelação de satélites de baixa órbita da SpaceX demonstra que, para certas empresas, a eficiência do combustível continua a ser mais valiosa do que a velocidade da internet.
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