Perante relatos de falhas no OnCall, utilizado nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), a Comissão de Trabalhadores do INEM exigiu, a 18 de julho, esclarecimentos ao conselho diretivo e alertou para riscos no acionamento dos meios de emergência.
Em comunicado, a estrutura representativa dos trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) revelou ter recebido “relatos preocupantes” de profissionais sobre o funcionamento do novo sistema informático.
Segundo a comissão, as falhas “abrangem áreas críticas”, como a seleção dos meios de socorro, a localização das ocorrências e dos meios disponíveis e a indicação das unidades hospitalares para onde os doentes devem ser encaminhados.
Pedido urgente continua sem resposta
A Comissão de Trabalhadores afirma ter pedido esclarecimentos urgentes ao conselho diretivo do INEM na segunda-feira anterior, mas garante que ainda não obteve resposta.
“Perante a gravidade das informações, a Comissão de Trabalhadores enviou, na passada segunda-feira, um pedido urgente de esclarecimentos ao conselho diretivo, questionando quem validou o sistema, se existiam erros conhecidos antes da sua implementação, quantas anomalias foram já reportadas e que medidas foram tomadas. Até ao momento, não recebemos resposta”, criticou.
A estrutura refere também que o INEM informou os bombeiros e os restantes parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) de uma alteração introduzida em 8 de julho.
Desde essa data, o acionamento das ambulâncias ligadas aos Postos de Emergência Médica e aos Postos de Reserva passou a depender exclusivamente da informação registada no Portal PEM.
“O próprio INEM reconhece estar ainda a otimizar o sistema informático de atendimento e despacho, ao mesmo tempo que transfere para as entidades a responsabilidade integral pela atualização do estado operacional dos meios”, alertou a comissão.
Informação pode estar desatualizada
Para a Comissão de Trabalhadores, estas alterações aumentam o risco de os CODU receberem “informação desatualizada ou incorreta” e de meios disponíveis deixarem de aparecer como operacionais no sistema.
A estrutura exige, por isso, uma explicação do responsável máximo do instituto sobre o eventual impacto das plataformas na resposta às emergências.
“O presidente do INEM tem de esclarecer se o OnCall ou o Portal PEM condicionaram a seleção do meio, a localização da ocorrência ou a resposta prestada, bem como explicar por que razão o sistema foi colocado em funcionamento sem que estivessem resolvidas todas as falhas críticas”, defendeu.
INEM negou colapso do sistema
Uma semana antes, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) tinha denunciado que o novo sistema de gestão de ocorrências dos CODU colapsara, obrigando os profissionais a realizarem triagens em papel.
O INEM negou “categoricamente” essas acusações e assegurou à Lusa que os registos clínicos e operacionais foram feitos “através dos sistemas informáticos em utilização, não tendo existido qualquer situação” que obrigasse ao recurso ao papel.
“É categoricamente falso que (…) o sistema dos CODU tenha colapsado, que as triagens tenham sido realizadas em papel”, afirmou o instituto.
O INEM acrescentou que dispõe de um sistema de ‘call back’, destinado a recuperar chamadas interrompidas ou que não tenham sido atendidas à primeira tentativa, “assegurando o respetivo seguimento e contacto com os cidadãos”.
A.Pinto / HDF
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