A espuma natural resulta do agitar das ondas sobre matéria orgânica em decomposição, como algas e plâncton. É comum e, geralmente, não representa risco. Ainda assim, quando ocorrem florescimentos de algas nocivas junto à costa e a biomassa entra em declínio, podem formar-se aerossóis com toxinas que irritam olhos e vias respiratórias, sobretudo em pessoas com asma ou sensibilidade respiratória.
Em Portugal, de acordo com o Leak, a monitorização de fitoplâncton nocivo e de biotoxinas em bivalves é feita de forma contínua pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), que publica interdições à apanha sempre que necessário. É um sinal de vigilância útil também para banhistas, já que a presença de toxinas no litoral pode coincidir com alterações na cor da água e formação de espuma persistente.
Como distinguir espuma natural de poluição
Espuma densa, que se mantém por muito tempo, com coloração acastanhada ou amarelada, cheiro químico ou a detergente e textura pegajosa, merece cautela. O escoamento urbano e agrícola após chuvadas, bem como descargas acidentais, introduz substâncias que reduzem a tensão superficial da água, facilitando a formação de bolhas estáveis.
Nos meses quentes, a combinação de águas mais mornas, maior pressão turística e períodos de chuva intensa favorece tanto o florescimento de algas como o arrastamento de poluentes para o mar. O resultado pode ser água descolorada, com nata, espuma e odores anómalos, sinais suficientes para adiar o mergulho.
Perante água descolorada ou com cheiro intenso, a orientação internacional, de acordo com a fonte acima citada, é simples: manter distância, evitar respingos e lavar a pele com água limpa após qualquer contacto. Em caso de irritação cutânea, náuseas ou falta de ar, deve ser procurada assistência médica.
Marés vermelhas
No caso das chamadas marés vermelhas, florescimentos de algas nocivas, nem sempre ‘pintam’ o mar de vermelho: a água pode apresentar tons castanhos, verdes ou dourados. Algumas espécies produzem toxinas que afetam tanto peixes como aves e acumulam-se em moluscos filtradores. O fenómeno é natural, mas tem sido descrito como mais frequente e persistente em vários locais do mundo.
No Algarve, há registos técnicos de eventos com algas como o Lingulodinium polyedrum, associados a alterações visíveis na água. Apesar de não existirem, nesses episódios, relatos de intoxicação humana por consumo de bivalves com essa toxina específica, a monitorização oficial reforça a prudência.
A ingestão de marisco apanhado fora dos circuitos controlados pode originar síndromes graves, ainda que raras em Portugal, como a intoxicação paralisante por marisco, segundo a mesma fonte. A recomendação é clara: consumir apenas bivalves de zonas autorizadas e respeitar interdições.
O que dizem as autoridades e onde confirmar
A avaliação europeia mais recente indica que a larga maioria dos locais monitorizados cumpre os padrões de qualidade, embora ocorram episódios pontuais de má qualidade, exigindo gestão local e informação ao público.
O galardão Bandeira Azul é outro indicador de gestão e informação ambiental nas praias, com listagem anual por concelho. Em 2025, o Algarve soma dezenas de zonas distinguidas, incluindo Manta Rota e Monte Gordo, entre outras.
Quanto à sinalização no areal, as bandeiras oficialmente reconhecidas em Portugal são verde, amarela, vermelha e a quadriculada. Conforme a fonte acima citada, a chamada “bandeira negra” não integra o código habitual: quando usada, é pontual e de caráter excecional por decisão local para comunicar interdição. O princípio é seguir sempre a sinalização no terreno e as indicações das autoridades marítimas.
O que fazer perante espuma suspeita
Perante espuma com cor, cheiro ou textura fora do normal, a atitude segura é não entrar na água, informar a Capitania local ou a autarquia e verificar se existe indicação de interdição a banhos. Após contacto acidental, uma lavagem abundante com água limpa reduz a exposição cutânea; perante sintomas respiratórios ou gastrointestinais, deve ser pedido aconselhamento clínico.
De acordo com o Leak, a mensagem essencial é simples: a maior parte da espuma é natural e não representa perigo, mas algumas situações são aviso de que a água não está própria. Em caso de dúvida, vale mais recuar, confirmar a informação oficial e, caso o banho esteja interdito, escolher outro local.
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