Com a aproximação do Natal e o aumento das reuniões familiares, especialistas em saúde alertam para a chegada iminente do pico da gripe. Segundo o jornal La Razón, o ponto alto deverá ocorrer nos próximos dias, coincidindo com um dos períodos de maior circulação social do ano. A evolução da epidemia preocupa sobretudo no caso das pessoas com mais de 65 anos e dos grupos mais vulneráveis, num contexto em que os serviços de saúde enfrentam maior pressão.
A atual época gripal começou mais cedo do que o habitual e está a evoluir de forma acelerada. A circulação do vírus intensificou-se nas últimas semanas, impulsionada por uma nova variante do vírus da gripe A (H3N2), que apresenta alterações genéticas que lhe permitem contornar parcialmente a imunidade adquirida em infeções anteriores.
De acordo com Estanislao Nistal, doutorado em Virologia, investigador e professor de Microbiologia na Faculdade de Farmácia da Universidade CEU San Pablo, a época da gripe adiantou-se entre três e quatro semanas. O especialista explica que o pico da gripe deverá ocorrer entre meados de dezembro e o início de janeiro, coincidindo com o período natalício.
Natal deverá coincidir com o pico da gripe
Esta previsão é partilhada por Juan González del Castillo, coordenador do Grupo de Infecciones de la Sociedad Española de Medicina de Urgencias y Emergencias, que indica um aumento significativo da procura dos serviços de urgência. Segundo o responsável, as consultas relacionadas com infeções respiratórias já aumentaram cerca de 20 por cento, sendo esperado um agravamento nas próximas duas semanas.
A maior mobilidade, as viagens e os encontros familiares típicos desta altura do ano contribuem para uma maior transmissibilidade do vírus, o que poderá prolongar o impacto da epidemia e atrasar a sua estabilização, refere a mesma fonte.
Dados confirmam subida acentuada dos casos
Os números mais recentes confirmam a tendência de agravamento. O último relatório do Sistema de Vigilância de Infeção Respiratória Aguda, referente à semana de 1 a 7 de dezembro de 2025, revela que a incidência da gripe duplicou numa semana, ultrapassando os 349 casos por cada 100 mil habitantes em cuidados de saúde primários.
O mesmo relatório indica que a taxa de positividade subiu para 41,6 por cento, quase o dobro da semana anterior. Também nos hospitais já se sente o impacto, com a taxa de hospitalização por gripe a aumentar para 7,5 casos por cada 100 mil habitantes.
Procura por máscaras e testes dispara nas farmácias
O agravamento da situação reflete-se também no comportamento da população. Segundo dados do Observatorio de Tendencias de Cofares, a procura de máscaras nas farmácias comunitárias aumentou 385 por cento nas últimas duas semanas.
De acordo com a mesma fonte, a venda de testes rápidos de antigénio registou igualmente um crescimento expressivo, com um aumento de 150 por cento, enquanto os produtos destinados ao alívio dos sintomas da gripe e constipações subiram cerca de 47 por cento. Joaquín López, farmacêutico, sublinha que as farmácias desempenham um papel fundamental no esclarecimento e aconselhamento da população.
Greve médica agrava pressão sobre o sistema de saúde
A situação torna-se mais complexa devido ao impacto da greve médica, que tem mantido os serviços a funcionar com meios limitados. Também os cuidados de saúde primários começam a sentir sobrecarga em algumas regiões, à medida que o número de casos aumenta de forma consistente.
Maiores de 65 anos estão entre os mais vulneráveis
Os profissionais de saúde reforçam que a gripe representa um risco acrescido para crianças com menos de cinco anos, pessoas com mais de 65 anos e doentes com patologias crónicas, como diabetes, obesidade, hipertensão ou doenças cardiovasculares, segundo aponta o La Razón.
Segundo dados recordados por Maria del Mar Tomás, porta-voz da Sociedade Espanhola de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica, a gripe foi responsável por mais de 33 mil hospitalizações e cerca de 1.800 mortes em Espanha na época anterior, demonstrando o impacto potencial da doença.
Vacinação continua abaixo do desejável
Apesar dos alertas, a taxa de vacinação mantém-se abaixo do ideal. Atualmente, apenas cerca de 56 por cento da população com mais de 65 anos está vacinada, valor inferior ao registado no mesmo período do ano passado. Entre as pessoas com idades entre os 60 e os 64 anos, a cobertura é ainda mais baixa.
Jaime Pérez, presidente da Associação Espanhola de Vacunologia, sublinha que ainda é tempo de vacinar e que a vacina continua a ser eficaz, incluindo contra a nova variante em circulação. Estudos recentes realizados no Reino Unido demonstram uma redução significativa das hospitalizações após a vacinação, sobretudo nos grupos mais vulneráveis.
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