O Grupo Lusíadas Saúde obteve vendas de 474 milhões de euros em 2025, mais 14% num ano de expansão, estimando que 2026 seja de recuperação das margens financeiras e prevendo investimentos de 165,17 milhões de euros.
O ano passado foi “muito peculiar” para o Grupo detido pelos franceses da Vivalto Santé, começou por dizer o presidente executivo (CEO) da Lusíadas Saúde em entrevista à Agência Lusa, apontando, desde logo, a abertura de quatro hospitais Lusíadas: Vilamoura (Algarve), Passos de Ferreira e Maia, no norte do país, e Campera (no Carregado, Alenquer).
Assim, explicou, este ritmo de aberturas inseriu-se numa estratégia de crescimento acelerado que exigiu investimento a vários níveis, com impacto direto nos resultados financeiros imediatos, mas priorizando o posicionamento futuro do grupo no mercado da saúde privada.
“É um ano que chamamos, em termos anglo-saxónicos, que tem ‘ramp-up’ [aumento gradual], estamos em crescimento acelerado. O ano de 2025 é um ano marcado por forte investimento, quer em pessoas, quer em equipamentos e infraestruturas e, portanto, o crescimento das vendas situou-se na ordem dos 474 milhões de euros, com um crescimento relativamente a 2024 na ordem dos 14% e, naturalmente castigámos, em prol do crescimento futuro, um pouco a rentabilidade do grupo”, afirmou à Lusa, em termos de balanço de 2025.
O EBITDA “continuou a crescer, mas a margem do EBITDA [Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização] caiu em virtude da quantidade de investimento e deste processo de crescimento dos hospitais. Registámos um EBITDA de 52 milhões de euros em 2025, que vinha de 50,7 em 2024. Portanto, o crescimento é mais marginal”, explicou ainda o CEO.
O balanço do exercício passado focou-se, assim, na exigência operacional e financeira de absorver e capacitar os novos hospitais, tanto a nível de equipas como de tecnologia médica, disse.
“Este ano de 2025 foi, naturalmente, por estas causas que disse, desafiante a vários níveis, quer a nível de recursos humanos, com enorme contratação de talento, (…) quer a nível naturalmente financeiro, com um enorme diploma de capital para poder equipar todas estas novas infraestruturas”, disse.

O número de trabalhadores, a tempo inteiro, do Grupo Lusíadas passou de 8.399 em 2024 para 9.402 no final de 2025, mais 12%.
Vasco Antunes Pereira acrescentou, no entanto, que este ano, a estratégia do Grupo Lusíadas Saúde passa pela maturação dos investimentos realizados, antecipando o Grupo uma forte recuperação e subida dos níveis de rentabilidade à medida que as novas unidades atingem a velocidade de cruzeiro.
“Este ano de 2026 é um ano de consolidação, em que, naturalmente, vai continuar a haver um crescimento de vendas, mas vai haver um enorme crescimento de rentabilidade. Aquilo que vai acontecer é que este é o ano em que os nossos hospitais vão acelerar para uma velocidade próxima da velocidade cruzeiro e, portanto, começam a suportar o custo de estrutura que está lá toda em cima”, sublinhou o CEO.
Em termos de investimentos, o Grupo Lusíadas anunciou em 22 de junho que vai abrir uma nova unidade hospitalar em Faro no final de 2027, princípio de 2028, num investimento de 60 milhões de euros, prevendo-se que gere 500 novos postos de trabalho.
“As pessoas do Algarve, que vivem no Algarve, que habitam no Algarve e que necessitam de cuidados de saúde no Algarve, vão ter uma unidade de saúde absolutamente capaz de lhe dar resposta a todas as necessidades que tenham”, afirmou o responsável, acrescentando que pretendem abrir o Hospital Lusíadas Beloura no último trimestre deste ano, unidade que vai contribuir para a ampliação da rede na região da Grande Lisboa.
“Entre 2025 e 2027 estamos a abrir cinco unidades de saúde, cinco unidades hospitalares, de norte a sul do país, com diferentes dimensões e diferentes ambições. Nós não estamos a construir unidades de saúde por construir unidades de saúde, estamos a identificar necessidades [de saúde das populações] não satisfeitas e a colmatar estas necessidades. Nós em 2022, quando alterámos o nosso acionista para a Vivalto Santé, o grupo Lusíadas tinha seis unidades de saúde, hoje tem 16, ao qual acrescem 31 clínicas dentárias”, concluiu.
Segundo dados que o Grupo deu à Lusa, as estimativas apontam para um investimento de 51,16 milhões de euros em 2027, mais 33,45 milhões em 2028, 26,81 milhões no ano seguinte, 26,98 milhões de euros em 2030 e 26,77 milhões em 2031, perfazendo 165,17 milhões de euros.
Por Mónica Freilão e Mariana Espírito Santo (texto), e José Sena Goulão (foto)
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