Mais presente nas despensas portuguesas do que se possa pensar, o arroz continua a ser uma base da alimentação quotidiana. No entanto, a sua origem e o método de produção levantam cada vez mais preocupações entre os consumidores atentos à saúde. Pesticidas, toxinas e arsénio são algumas das substâncias detectadas em certos tipos de arroz, com diferenças significativas entre variedades e marcas.
De acordo com a revista 60 Millions de Consommateurs, que analisou 40 referências de arroz disponíveis no mercado francês, há variedades e marcas que se destacam pela ausência (ou muito baixa presença) de resíduos químicos.
O estudo, publicado na edição de fevereiro, avaliou a presença de pesticidas, aflatoxinas, toxinas com potencial cancerígeno produzidas por bolores, e arsénio inorgânico, um elemento tóxico naturalmente presente nos solos.
Basmati: o campeão inesperado vem do supermercado
Entre os 14 arroz basmati analisados, a primeira posição foi ocupada por uma marca convencional: o arroz basmati Carrefour Extra, com nota de 18 em 20. Segundo a mesma fonte, esta referência não apresentou vestígios de pesticidas, registou baixos níveis de arsénio inorgânico e de aflatoxinas, sendo também uma das opções mais acessíveis: 2,79 euros por quilo.
Em segundo lugar ficou o arroz basmati biológico da marca Alter Eco, com origem na Índia e certificado com os selos Bio Équitable e Fair for Life. Escreve a publicação que, apesar de ter uma excelente composição, o preço por quilo (8,50 euros) é significativamente superior ao da primeira marca do ranking.
Arroz tailandês: aromático e pouco contaminado
Muito procurado pelo seu aroma a jasmim, o arroz tailandês apresentou bons resultados na análise. Conforme a mesma fonte, as referências analisadas estavam praticamente isentas de pesticidas, embora o arsénio inorgânico tenha sido detectado de forma mais regular do que no basmati.
No topo da lista surge o arroz tailandês biológico da marca Autour du riz, com origem na Tailândia, nota de 16,5/20 e preço de 6,30 euros por quilo.
Com igual pontuação, o arroz da marca La Vie Claire destacou-se também pela ausência total de resíduos de pesticidas, incluindo substâncias como o tebuconazol e a cipermetrina.
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Camargue: tradição e baixo impacto químico
O arroz da região francesa da Camargue continua a ser uma referência em termos de produção pouco intensiva. De acordo com 60 Millions de Consommateurs, os 12.000 hectares de cultivo na região favorecem práticas agrícolas com menor uso de químicos, o que se reflete na análise laboratorial.
O arroz Nos régions ont du talent – E.Leclerc, com selo IGP e grão longo, lidera a categoria com uma nota de 17,5/20. Segundo a mesma fonte, este arroz é isento de pesticidas e contém níveis muito baixos de arsénio e aflatoxinas. O preço é de 3,80 euros por quilo.
Camargue biológico também se destaca
Na segunda posição do segmento Camargue encontra-se o arroz semi-completo da marca Bongran, igualmente com selo IGP e proveniente de agricultura biológica. Escreve o jornal que este produto obteve 16,5/20 na avaliação e é comercializado a 5,50 euros por quilo.
Tal como em outras variedades, a certificação biológica foi um factor decisivo na redução de resíduos tóxicos. Acrescenta a publicação que o arroz de Camargue continua a ser uma das apostas mais seguras para quem privilegia produções locais e sustentáveis.
Long grain: resultados mistos mas dentro dos limites
No segmento do arroz long grain, 60 Millions de Consommateurs indica que os níveis de arsénio são geralmente mais elevados, ainda que dentro dos limites legais. Mesmo assim, duas marcas conseguiram alcançar boa classificação na análise comparativa.
Em primeiro lugar, com 16,5/20, ficou o arroz Jasmine Rice Qualité Supérieure da marca Riz du Monde, vendido a 3,37 euros por quilo. Refere a mesma fonte que, apesar de não ser biológico, apresentou um perfil químico equilibrado.
Lustucru: preço acessível e sem surpresas
Com a mesma pontuação (16,5/20), o arroz long grain incollable da marca Lustucru surge como alternativa mais económica, com preço de 3,15 euros por quilo.
Segundo o relatório, este produto cumpriu os parâmetros de segurança alimentar e mostrou níveis aceitáveis de contaminação.
Embora esta variedade apresente naturalmente maior absorção de arsénio, a revista destaca que todos os produtos analisados respeitam os limites definidos pela legislação europeia.
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