Um vírus que tem preocupado as autoridades de saúde pública europeias, com um número crescente de infeções e um agravamento dos sintomas associados à doença. Desde o início do ano com casos detetados na Bulgária, França, Itália, Grécia e Roménia. A evolução do vírus e o seu impacto crescente em países europeus levantam questões sobre os efeitos das alterações climáticas e a eficácia dos atuais mecanismos de prevenção.
Segundo o portal de notícias online Euronews, este vírus tem como principal transmissor os mosquitos infetados, sendo capaz de infetar humanos, aves e outros animais. A transmissão entre humanos não é habitual, mas pode ocorrer em contextos clínicos específicos, nomeadamente através de transfusões de sangue e transplantes de órgãos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1937, no Uganda, tendo chegado aos Estados Unidos em 1999, onde causou surtos localizados com sintomas ligeiros. No entanto, nos últimos anos, têm-se registado alterações importantes no padrão clínico da infeção.
Mais sintomas e casos neurológicos graves
Embora a maioria das pessoas infetadas permaneça assintomática, cerca de uma em cada cinco desenvolve sintomas como febre, dores musculares, dores de cabeça, vómitos, dores nas articulações, diarreia ou erupções cutâneas. Em casos mais raros, aproximadamente 1% das infeções pode evoluir para complicações neurológicas severas, incluindo encefalite ou meningite.
O risco de agravamento é mais elevado em pessoas com mais de 60 anos, sobretudo quando existe historial de doenças crónicas como cancro, diabetes, hipertensão ou problemas renais. A taxa de mortalidade entre os casos com envolvimento neurológico pode atingir os 10%.
Na Europa, mantém-se o alerta do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças para o vírus do Nilo Ocidental nas regiões com circulação documentada. A vigilância em 2025 arrancou em junho e inclui atualizações semanais das áreas de risco, informação usada para medidas de saúde pública como a segurança do sangue. Em Itália, um dos países com mais casos, o Ministério da Saúde publicou a 21 de julho uma circular a reforçar a vigilância clínica e a informação ao público.
Alterações climáticas facilitam a propagação do vírus
A Universidade Johns Hopkins, citada pela mesma fonte, explica que o vírus se dissemina com maior facilidade durante os meses quentes, em especial no verão e início do outono, sendo favorecido por temperaturas elevadas. As alterações climáticas, ao prolongarem o período de atividade dos mosquitos em várias regiões europeias, estão a contribuir para a ampliação da área de risco e para o aumento do número de infeções.
Este padrão de expansão tem sido observado em diversos países da Europa, incluindo zonas até agora menos afetadas, o que coloca uma pressão adicional sobre os sistemas de vigilância epidemiológica e controlo vetorial.
Sem vacina e com tratamento limitado
Ainda não existe uma vacina aprovada nem tratamento antiviral específico para o vírus do Nilo Ocidental. A abordagem médica continua a centrar-se no alívio sintomático, através de repouso, ingestão de líquidos e administração de antipiréticos. A recuperação pode ser demorada, especialmente nos casos mais graves, prolongando-se por semanas ou meses.
Medidas de prevenção continuam a ser essenciais
A prevenção da infeção depende, em larga medida, das estratégias locais de controlo de mosquitos e da proteção individual. O uso de repelentes, bem como o recurso a vestuário que cubra braços e pernas, são algumas das recomendações divulgadas pelas autoridades de saúde pública. A monitorização de populações de mosquitos e a eliminação de águas estagnadas também são consideradas fundamentais.
De acordo com a Euronews, o crescente número de casos e a gravidade dos sintomas associados reforçam a necessidade de uma resposta coordenada à escala europeia, sobretudo numa altura em que os efeitos das alterações climáticas começam a ter implicações diretas na saúde pública.
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