O envelhecimento não acontece da mesma forma para todas as pessoas e a diferença está, muitas vezes, nos hábitos adotados a partir da meia-idade. Um especialista em longevidade deixou um aviso claro: quem chega aos 50 ou 60 anos sem praticar qualquer tipo de exercício físico arrisca-se a perder autonomia já a partir dos 70, um cenário que pode ser evitado com hábitos simples e regulares, de acordo com o jornal digital Noticias Trabajo.
A mensagem foi deixada por David Céspedes, médico focado em envelhecimento saudável, que explicou qual a rotina mínima recomendada para pessoas entre os 50 e os 60 anos que pretendem manter-se independentes até idades mais avançadas.
Segundo o especialista, a forma como se chega à velhice depende menos da sorte e mais das escolhas feitas ao longo da vida adulta. Há quem alcance idades muito avançadas com plena autonomia e quem, pouco depois dos 60, já apresente limitações severas de mobilidade, muitas vezes associadas ao sedentarismo e à perda progressiva de massa muscular.
Exercício como fator decisivo na autonomia
David Céspedes deixa um alerta direto: “Se os pais têm entre 50 e 60 anos e não fazem desporto, não vão ser independentes quando tiverem 70”. O especialista sublinha que a perda de força e de equilíbrio é um dos principais fatores que levam à dependência em idades mais avançadas, sobretudo quando não existe qualquer estímulo físico regular.
A proposta apresentada passa por uma rotina simples, pensada para ser feita em casa, sem necessidade de equipamentos sofisticados. O objetivo não é o desempenho desportivo, mas sim preservar a funcionalidade do corpo no dia a dia, conforme refere a mesma fonte.
Movimentos simples e adaptáveis
O ponto de partida recomendado é um movimento básico de agachamento. Para quem tem dificuldades, a alternativa passa por um exercício funcional comum, sentar e levantar de uma cadeira ou do sofá, simulando gestos do quotidiano e trabalhando os músculos das pernas.
Segue-se a introdução de exercícios de força adaptados, como movimentos semelhantes ao peso morto e flexões, que podem ser realizadas com apoio nos joelhos, numa mesa ou até numa parede, ajustando o esforço às capacidades de cada pessoa.
Rotina curta, mas regular
O especialista sugere ainda um exercício sentado, com elevação de peso acima da cabeça, alertando para a importância da postura correta, com os cotovelos mais juntos ao corpo. A rotina termina com exercícios de fortalecimento abdominal, como a prancha, fundamentais para a estabilidade e prevenção de quedas.
De acordo com David Céspedes, esta sequência deve ser praticada duas a três vezes por semana. A regularidade, mais do que a intensidade, é apontada como o fator decisivo para obter resultados a médio e longo prazo, de acordo com o Noticias Trabajo.
Um alerta que também se aplica a Portugal
Em Portugal, onde o envelhecimento da população é uma realidade crescente, a perda de autonomia associada ao sedentarismo é um tema frequentemente abordado por profissionais de saúde. A manutenção da força muscular e do equilíbrio é considerada essencial para prolongar a independência e reduzir a necessidade de apoio em idades avançadas.
Para o especialista, a adoção destes hábitos a partir dos 50 anos pode “mudar a vida” de muitas pessoas, permitindo chegar aos 80 ou 90 anos com maior conforto, mobilidade e autonomia, evitando uma dependência precoce que, em muitos casos, é evitável.
















