Muitas pessoas têm o hábito de acariciar cães desconhecidos, sem consciência dos riscos de doença que isso pode implicar. Foi o caso de Yvonne Ford, de 59 anos, residente em Barnsley, South Yorkshire, Inglaterra, que morreu vítima de raiva após um simples arranhão feito por um cachorro abandonado, durante umas férias em Marrocos, em fevereiro deste ano, conforme noticiado pela BBC.
De acordo com uma publicação feita pela filha da vítima, Robyn Thomson, nas redes sociais, a mãe apresentou sintomas pela primeira vez meses depois do contacto com o cão. Inicialmente, começou por uma simples dor de cabeça, que rapidamente evoluiu para incapacidade de andar, falar, dormir e engolir.
Ainda segundo a mesma fonte, Yvonne acabou por falecer a 11 de junho no Royal Hallamshire Hospital, em Sheffield.
Jane McNicholas, diretora médica do Sheffield Teaching Hospitals NHS Foundation Trust, confirmou à televisão britânica que a paciente britânica recebeu cuidados especializados após ter contraído raiva no estrangeiro, acabando por falecer. Ainda segundo Jane McNicholas, foi manifestada solidariedade para com a família da vítima.
Alerta lançado por médica portuguesa
Face ao sucedido, a médica portuguesa especialista em Medicina do Viajante, Filipa Alves, alertou para a gravidade da raiva, sublinhando que esta é uma doença “100% mortal, mas 100% evitável” através da vacinação ou tratamento imediato após a exposição ao vírus.
Segundo Filipa Alves, muitas pessoas não valorizam pequenos incidentes, como arranhões ou mordeduras leves de animais durante viagens, e acabam por não procurar ajuda médica atempadamente.
A médica sublinha ainda a importância de uma consulta especializada antes de viajar para locais onde a raiva é endémica.
Raiva: uma doença quase sempre fatal
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 99% dos casos humanos de raiva são provocados por cães infetados.
Segundo a mesma fonte, a doença afeta o cérebro e o sistema nervoso central, e após o surgimento de sintomas, a mortalidade é praticamente de 100%.
Entre os sintomas principais contam-se dormência ou formigueiro na zona do arranhão ou mordida, alucinações, ansiedade extrema, dificuldades de deglutição e respiração, e paralisia.
Contudo, a OMS destaca que o tratamento pós-exposição ao vírus é altamente eficaz, desde que administrado imediatamente após o incidente.
Casos raros, mas alerta permanente
A UKHSA alerta especialmente para o perigo em regiões da Ásia e África, recomendando que viajantes evitem o contacto direto com cães, gatos ou outros animais nesses locais.
De acordo com a mesma fonte, é igualmente aconselhada a procura de informações sobre vacinação pré-viagem.
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