Um estudo internacional revelou resultados promissores de um novo fármaco oral para o tratamento da obesidade que poderá tornar-se uma alternativa ao conhecido Ozempic. A investigação, publicada no The New England Journal of Medicine, revista científica médica americana, mostrou reduções de peso superiores a 11% em pacientes que tomaram doses mais altas do medicamento, designado orforglipron.
De acordo com o jornal espanhol El Economista, especializado em economia e negócios, o ensaio clínico acompanhou 3.100 indivíduos obesos em nove países diferentes, ao longo de 72 semanas.
Todos os participantes tinham um índice de massa corporal acima de 30, ou entre 27 e 30 mas com complicações associadas à obesidade. Nenhum sofria de diabetes.
Como decorreu o estudo
Os voluntários foram divididos em grupos que receberam diariamente diferentes doses de orforglipron (6, 12 ou 26 miligramas) ou placebo. A administração foi feita em cápsulas, sempre acompanhada por dieta equilibrada e prática regular de exercício físico.
Segundo os resultados citados pelo El Economista, os participantes que tomaram doses mais elevadas registaram uma perda média superior a 11% do peso corporal. Mais de metade perdeu pelo menos 10% do peso inicial e cerca de 18% conseguiu ultrapassar a marca dos 20%.
Impacto na saúde
O estudo apontou ainda melhorias noutras áreas: redução da circunferência abdominal, descida da pressão arterial, bem como melhorias nos níveis de colesterol e triglicerídeos. Estes fatores são considerados determinantes no risco de doenças cardiovasculares.
Os efeitos adversos relatados foram sobretudo de natureza gastrointestinal, classificados como ligeiros a moderados e de curta duração. De acordo com os investigadores, foram semelhantes aos registados noutros tratamentos contra a obesidade.
Potencial do novo tratamento
A coordenadora da Unidade de Tratamento Integral da Obesidade do Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, afirmou que a chegada de um medicamento oral representa um passo significativo.
Andreea Ciudin sublinhou que este avanço poderá “oferecer opções mais convenientes e igualmente seguras, permitindo que mais pacientes tenham acesso ao tratamento e consigam mantê-lo a longo prazo”.
A concorrência ao Ozempic
Medicamentos injetáveis como o Ozempic e o Wegovy, ambos à base de semaglutida, têm dominado a terapêutica contra a obesidade. A possibilidade de um tratamento oral eficaz poderá alterar o mercado e alargar o acesso a doentes que até agora viam nas injeções uma barreira.
Os especialistas citados na publicação alertam, contudo, que são necessários mais dados sobre os efeitos a longo prazo, incluindo a manutenção da perda de peso após a interrupção do tratamento. Ainda assim, o El Economista nota que a indústria farmacêutica acompanha com atenção este resultado, visto que representa um dos ensaios clínicos mais completos na área da obesidade nos últimos anos.
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