Reunir progressistas do centro à esquerda para pensar e testar políticas públicas é o objetivo do Instituto Progresso, que nasceu esta quarta-feira, 26 de agosto, com a ambição de desenvolver experiências-piloto no terreno.
Presidido pelo deputado do PS Miguel Costa Matos, o novo “think tank” apresenta-se como um “tubo de ensaio” que pretende passar “da boa prática à boa política”.
Em declarações à Lusa, Miguel Costa Matos explicou que o objetivo é “assegurar que o país não se fica pelas boas ideias” e que “pode realmente dar um passo em frente”.
Espaço aberto do centro à esquerda
Para o presidente do Instituto Progresso, o campo progressista “vai além do PS” e estende-se “desde uma ala humanista do PSD até mais além ao Livre”.
Miguel Costa Matos definiu, por isso, o instituto como um espaço “plural e aberto a várias sensibilidades partidárias e com muitos independentes”.
O manifesto fundador conta com quase 200 subscritores. Entre eles encontram-se antigos membros de governos do PS, como Duarte Cordeiro, Maria Manuel Leitão Marques, Mário Campolargo e Catarina Marcelino, bem como os atuais deputados socialistas António Mendonça Mendes, Paulo Lopes Silva e Frederico Francisco.
A lista inclui ainda o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, o antigo diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde Fernando Araújo, os antigos parlamentares do PSD Adão Silva e Duarte Pacheco e o deputado do Livre Paulo Muacho.
Propostas serão testadas com empresas, autarquias e IPSS
O instituto pretende não só promover o debate e desenvolver propostas detalhadas, mas também testar as soluções antes de uma eventual aplicação mais ampla.
“Decidimos criar não só um ‘think tank’ que discuta, mas que consiga reduzir a escrito estas ideias e juntar de forma consistente algumas das melhores cabeças do país para pensar os assuntos e trabalhar as propostas ao detalhe, e não apenas na espuma dos dias, e também para testá-las, através de experiências-piloto e de parcerias com empresas, autarquias e IPSS”, explicou Miguel Costa Matos.
O responsável considera que a experimentação permite avaliar a eficácia das medidas e “afinar pormenores” de uma futura implementação, seguindo uma prática que, afirmou, já tem sido adotada “com bastante sucesso” por outros centros de reflexão europeus.
“Queremos mais do que ser um ‘discussion tank’, queremos ser um ‘do tank’. É mesmo ‘o fazer’ que vai ser a nossa marca identitária e que achamos que vai fazer a diferença para a sociedade portuguesa”, salientou.
Instituto quer responder à frustração com as instituições
Miguel Costa Matos considera que o campo progressista se tem refugiado frequentemente “num discurso defensivo de que é preciso defender a democracia e o Estado Social”.
“Mas nós precisamos de ser capazes de perceber e responder às frustrações das pessoas com as instituições políticas tradicionais, incluindo estas, e de responder aos novos desafios do século XXI”, defendeu.
Na análise do deputado socialista, Portugal “não consegue reformar” porque permanece muitas vezes “preso numa lógica do improviso, do desenrascar, de curto prazo e também cada vez mais polarizado”.
Esta realidade contrasta, acrescentou, com a perceção de que, apesar de se viver “numa era de grande progresso tecnológico”, a vida das pessoas progride relativamente pouco.
“Não é uma corrente interna” do PS
Questionado sobre eventuais interpretações políticas dentro do PS, Miguel Costa Matos rejeitou que o novo instituto represente uma movimentação interna partidária.
“Mal seria se uma boa ideia, que é uma ideia distinta da atividade de um partido político, tivesse de ser condicionada ou posta em espera por causa de leituras que são legítimas, mas que não têm fundamento em relação a qualquer tipo de leitura de como isto afeta a vida interna do PS”, afirmou.
O presidente do instituto garantiu que o líder socialista conhece a iniciativa e a encara “com entusiasmo”, acrescentando que também houve uma conversa com o líder do Livre.
“Isto, de facto, não é nem uma corrente interna de um partido, nem é um espaço alternativo aos partidos”, assegurou.
No manifesto fundador, os subscritores defendem que “o destino do futuro do país tem de estar ancorado em ciência, dados e planeamento”.
“O progresso, para ser popular outra vez, tem de ambicionar a transformação que já foi capaz de fazer. O Instituto Progresso propõe-se a ser o tubo de ensaio a isso mesmo”, conclui o documento.
A.Pinto / HDF
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