Na sequência do atropelamento que fez 16 feridos, entre os quais dois militares da GNR, na Rua da Oura, em Albufeira, o presidente da distrital algarvia do CDS-PP propõe reforçar a segurança e transformar aquela artéria numa grande avenida pedonal.
O caso ocorreu a 25 de agosto. De acordo com o comunicado divulgado por Rodrigo Borges de Freitas, um condutor de 35 anos, com uma taxa de alcoolemia de 1,29 gramas por litro de sangue, terá ignorado ordens da GNR e atingido peões e militares.
O homem foi detido e acusado de ofensa à integridade física qualificada, condução perigosa e condução sob influência do álcool, refere o documento.
O dirigente partidário manifesta solidariedade para com os feridos, as respetivas famílias e os militares da GNR, defendendo, contudo, que a responsabilidade penal individual não deve encerrar o debate sobre as condições de segurança existentes na zona.
Rua da Oura proposta como avenida pedonal
Rodrigo Borges de Freitas considera que o episódio não deve ser analisado apenas como um ato isolado, alegando que as zonas da Oura e da Baixa são há muito conhecidas pela forte concentração de pessoas, sobretudo em determinados horários e durante a época turística.
“Pode chamar-se ato isolado a um episódio, não se pode, porém, considerar ‘isolado’ um problema de segurança que torna repetidamente possíveis ocorrências desta natureza em locais de concentração de pessoas”, afirma.
Entre as medidas defendidas estão a instalação de pilaretes retráteis e barreiras de alta resistência, o controlo físico dos acessos, sistemas de leitura de matrículas, o reforço do patrulhamento e a criação de planos operacionais adaptados aos horários e à densidade pedonal.
O responsável entende ainda que a Rua da Oura deverá assumir “definitivamente a sua vocação” e tornar-se “uma grande avenida pedonal de Albufeira”, de forma a aumentar a proteção de residentes, trabalhadores e visitantes.
Na sua perspetiva, a utilização de veículos móveis em zonas com grande concentração de pessoas deve ser limitada através de soluções físicas capazes de impedir a entrada de viaturas nos períodos considerados críticos.
Comunicado reúne vários episódios ocorridos no concelho
Para sustentar o alerta, o presidente da Comissão Política Distrital do Algarve do CDS-PP recorda dois outros atropelamentos com fuga ocorridos em Albufeira.
O primeiro, em dezembro de 2025, deixou gravemente ferido um jovem de 18 anos. Em junho de 2026, outro atropelamento causou a morte de uma mulher e ferimentos graves num homem.
O comunicado reúne ainda ocorrências de natureza distinta registadas ao longo dos últimos meses. Entre elas estão a identificação, em janeiro de 2026, de oito jovens suspeitos de roubos violentos a turistas, alegadamente cometidos em julho do ano anterior e organizados através das redes sociais.
O documento refere também a detenção de dois homens por furtos qualificados em estabelecimentos comerciais, em maio, e os alertas feitos por moradores das Açoteias, no mês seguinte, devido a assaltos e atos de vandalismo contra automóveis.
É igualmente mencionado o despiste ocorrido em julho na Estrada Municipal 526, na Branqueira, que causou uma vítima mortal e levou à constituição como arguido de um jovem de 22 anos por homicídio por negligência, omissão de auxílio e condução perigosa.
Entre os restantes episódios enumerados estão uma tentativa de homicídio num parque de caravanas, uma suspeita de violação de uma jovem que trabalhava num bar, uma agressão com uma arma branca num parque de estacionamento em Olhos de Água e confrontos violentos divulgados nas redes sociais.
Num plano diferente, o comunicado inclui ainda duas mortes por afogamento registadas em junho nas praias de São Rafael e do Peneco. O texto não estabelece uma relação causal entre todos estes acontecimentos, mas apresenta-os como parte de um quadro que, na perspetiva do CDS-PP, exige maior prevenção e coordenação.
Taxa de criminalidade condicionada pela população flutuante
Citando os indicadores do Relatório Anual de Segurança Interna de 2025, Rodrigo Borges de Freitas afirma que Albufeira registou 4.199 participações e uma taxa de cerca de 86 crimes por mil habitantes, valor que colocaria o concelho no topo da criminalidade registada.
O próprio dirigente reconhece que esta taxa é influenciada pelo facto de a população residente ser muito inferior ao número de pessoas que utiliza diariamente o território, sobretudo durante o verão.
Considera, no entanto, que essa distorção estatística não elimina a necessidade de adaptar os meios de segurança à população efetivamente presente no concelho durante os períodos de maior procura turística.
Segurança apontada como fator de competitividade turística
Rodrigo Borges de Freitas sustenta ainda que a perceção de insegurança pode afetar a competitividade de Albufeira enquanto destino turístico.
O comunicado afirma que as unidades hoteleiras recebem avaliações positivas pela qualidade dos serviços, mas que existem turistas sem intenção de regressar brevemente devido à experiência vivida fora dos hotéis. O documento não apresenta dados que permitam quantificar essa perceção.
“A segurança não é um custo, é um investimento na reputação e na sustentabilidade do turismo”, defende o responsável.
O dirigente recorda também que o tema esteve no centro da campanha para as eleições autárquicas e critica a sua utilização como “arma eleitoral”, defendendo que a identificação dos problemas deve ser acompanhada por medidas concretas.
“A segurança não se apregoa. Pratica-se. Pratica-se com planeamento, com engenharia, com tecnologia, com forças de segurança devidamente dimensionadas, com fiscalização, com coordenação e, sobretudo, com capacidade para identificar os pontos vulneráveis antes de serem notícia”, afirma.
Rodrigo Borges de Freitas pede ainda “uma nova cultura de governação”, com “menos reação, menos circo, mais prevenção, menos discurso, mais execução, menos política de circunstância” e maior planeamento.
Na nota final, o presidente da distrital do CDS-PP considera que a preocupação não se limita a Albufeira e deve ser alargada a todo o Algarve, defendendo que a discussão pública sobre segurança deve assentar em factos e conduzir a soluções duradouras.
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