A concelhia de Lagos do CDS-PP defende que o atendimento nos serviços públicos deve ir além do cumprimento mínimo das tarefas, através de uma atitude voluntária de apoio aos cidadãos, sem ultrapassar as regras ou os limites de cada função.
A posição consta de um comunicado intitulado “Servir é fazer mais”, assinado por Miguel Silva, presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Lagos, que propõe recuperar o chamado “princípio do também”: a disponibilidade para prestar ajuda adicional a quem procura os serviços do Estado.
“Um funcionário público não trabalha apenas para uma instituição. Trabalha para as pessoas”, escreve o dirigente, defendendo que cada contacto com um serviço público pode influenciar a confiança dos cidadãos no Estado.
Explicar os passos seguintes e evitar deslocações desnecessárias
Entre os exemplos apresentados, Miguel Silva distingue a simples indicação do balcão onde deve ser entregue um documento de uma explicação sobre os procedimentos seguintes, que possa evitar uma nova deslocação desnecessária.
O mesmo princípio aplica-se, na sua perspetiva, a uma família que não sabe como resolver determinado assunto. Em vez de apenas informar que a questão não pertence às competências daquele serviço, o trabalhador pode orientar os cidadãos para a entidade adequada.
O dirigente inclui também a limpeza das ruas entre os exemplos de tarefas que devem ser realizadas com zelo e dedicação.
“Não significa ultrapassar regras, assumir competências que não nos pertencem ou fazer aquilo que não é permitido”, ressalva. O objetivo, acrescenta, é não permanecer indiferente às necessidades dos outros dentro das possibilidades e responsabilidades de cada profissional.
Para Miguel Silva, essa disponibilidade pode traduzir-se numa explicação dada com paciência, numa chamada para confirmar uma informação ou em algum tempo adicional dedicado a quem precisa de ajuda.
“É a diferença entre despachar uma pessoa e atender uma pessoa”, resume.
Reconhecer os profissionais que trabalham com dedicação
O presidente da concelhia considera injusta a imagem do funcionário público desleixado, pouco empenhado ou limitado ao estritamente necessário, lembrando os profissionais que exercem diariamente as suas funções com competência, dedicação e responsabilidade.
Defende, contudo, que essa perceção deve motivar uma reflexão sobre a finalidade do serviço público e sobre a relação com quem o procura, incluindo pessoas idosas, jovens, famílias ou cidadãos com dificuldades financeiras.
“É necessário exigir profissionalismo, competência, pontualidade e responsabilidade. Mas também é necessário reconhecer e valorizar aqueles que fazem do serviço aos outros uma verdadeira missão”, sustenta.
Na sua perspetiva, a forma como cada pessoa é recebida pode determinar se sai de um serviço sentindo-se apenas mais um número ou, pelo contrário, ouvida, respeitada e tratada com dignidade.
Apelo estende-se às empresas, associações e famílias
Miguel Silva defende que esta atitude não deve ficar circunscrita aos trabalhadores do Estado. O texto estende o apelo às empresas, às associações, às famílias e às relações pessoais, propondo uma maior disponibilidade para ajudar mesmo depois de cumprida a obrigação inicial.
“Fazer o que é nossa obrigação é responsabilidade. Fazer também aquilo que podemos para ajudar o próximo é serviço”, conclui o dirigente do CDS-PP de Lagos.
A.Pinto / HDF
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