Cotação internacional impulsiona preço do gasóleo
Os dados mais recentes da EPCOL mostram que o forte aumento do preço do gasóleo registado no último ano ficou a dever-se, quase exclusivamente, à evolução da cotação do petróleo nos mercados internacionais, na sequência do agravamento da instabilidade no Médio Oriente.
Entre o 2.º trimestre de 2025 e o 2.º trimestre de 2026, o preço médio do gasóleo em Portugal aumentou cerca de 40 cêntimos por litro, passando de 1,54€ para 1,94€, o equivalente a uma subida de 26%.
A principal responsável por esta evolução foi a componente da cotação internacional, que passou de 0,48€ para 0,85€ por litro. Trata-se de um aumento de 77%, correspondente a mais 37 cêntimos por litro. Ou seja, esta componente explica praticamente todo o aumento do preço final do combustível.
As restantes componentes tiveram uma evolução bastante mais moderada e, em alguns casos, até contribuíram para atenuar a subida do preço. Os custos de armazenagem, distribuição e comercialização diminuíram de 0,18€ para 0,14€ por litro, uma redução de 19%.
Já a componente dos impostos aumentou de 0,79€ para 0,84€ por litro, um acréscimo de apenas 5 cêntimos por litro (+6%), enquanto o custo associado aos biocombustíveis passou de 0,09€ para 0,11€ por litro (+17%), representando apenas mais 2 cêntimos por litro.
A decomposição do preço do gasóleo permite perceber que, apesar de os impostos continuarem a representar a maior parcela do preço final (cerca de 43%), a sua evolução teve um impacto reduzido no aumento registado ao longo do último ano. Da mesma forma, também não foram as margens associadas à armazenagem, distribuição e comercialização que explicaram a subida dos preços — pelo contrário, estas diminuíram.
Os dados da EPCOL indicam, assim, que o agravamento do preço do gasóleo observado entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026 resultou, quase na totalidade, da valorização da cotação do petróleo nos mercados internacionais, evidenciando o peso que a evolução dos mercados energéticos globais continua a ter no preço pago pelos consumidores em Portugal.
















