A cidade costeira de Saida, capital da região do Sul do Líbano, e a cidade espanhola de Córdova foram designadas como as duas capitais mediterrânicas da Cultura e do Diálogo para 2027, uma decisão aprovada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 43 países membros da União para o Mediterrâneo (UfM) durante o seu recente fórum anual em Barcelona.
Em 2026, Matera (Itália) e Tetuão (Marrocos) conquistaram este título, enquanto em 2025 Tirana e Alexandria (Egito) foram as primeiras Capitais Mediterrânicas da Cultura e do Diálogo.
Córdova (320.000 habitantes)
Localizada no coração da Andaluzia e historicamente situada entre o Atlântico e o mundo mediterrâneo, Córdova destaca-se como um símbolo universal de coexistência, florescimento intelectual e síntese cultural. Como antiga capital romana e ilustre capital do Califado de Al-Andalus, a cidade incorpora séculos de diálogo, criatividade e avanço científico mediterrâneo. A capacidade única de Córdova de harmonizar tradições diversas, a sua infraestrutura cultural excecional e a sua visão mediterrânica abrangente fazem dela uma Capital Mediterrânica ideal da Cultura e do Diálogo para 2027.

Córdoba incorpora um legado mediterrânico profundo, moldado por civilizações que a tornaram um centro de pensamento humanista. Desde a Córdova romana, berço de Sêneca, até à florescente capital multicultural de al-Andalus, a cidade rivalizou outrora com Bagdade e Bizâncio. As suas quatro inscrições do Património Mundial da UNESCO — a Mesquita–Catedral, o Centro Histórico, Madinat al-Zahra e o Festival dos Pátios — destacam uma riqueza excecional de património tangível e imaterial. A cidade é uma colaboradora de longa data para o diálogo euro-mediterrânico, com uma história de diplomacia cultural, envolvimento inter-religioso e cooperação internacional. A sua vasta infraestrutura cultural — museus, teatros, arquivos e grandes festivais como o Festival da Guitarra, Noche Blanca del Flamenco, Cosmopoética e a Bienal de Fotografia — posiciona Córdova como um polo cultural mediterrânico inclusivo e colaborativo. O programa de 2027 da Córdoba reforça o seu compromisso com a pluralidade artística e o património partilhado. Locais monumentais — desde a Mesquita–Catedral a pátios, palácios e marcos arqueológicos — servirão de palco aberto para música mediterrânica, performance, artes visuais e diálogo cívico. Exposições conjuntas, ferramentas digitais, residências interdisciplinares e iniciativas centradas na juventude irão aprofundar a cooperação com cidades parceiras. Sob o tema “Mediterrânea Estendida”, Córdova irá desenvolver eventos espelhados e projetos transfronteiriços com Saida, afirmando ambas as cidades como laboratórios de diálogo intercultural.
Saida (ou Sídon – 200.000 habitantes)Um cruzamento histórico costeiro com mais de 6.000 anos de habitação contínua, Saida é uma das cidades mais antigas e resilientes do Mediterrâneo— um arquivo vivo de herança fenícia, romana, árabe, cruzada e otomana. Definida pela sua diversidade, identidade marítima e setor criativo em rápido crescimento, Saida reflete o espírito da renovação mediterrânica. O seu forte compromisso com a cultura como força de coesão social, empoderamento juvenil e diálogo intercultural faz dela uma Capital Mediterrânica de Cultura e Diálogo de destaque para 2027. Saida é uma verdadeira cidade-ponte mediterrânica, moldada por séculos de intercâmbio e coexistência. O seu legado marítimo fenício, o Castelo do Mar Cruzado, os cãs otomanos, os souks históricos e o porto ativo formam uma tapeçaria única da memória mediterrânica. Lar das comunidades libanesas, palestinianas, sírias, muçulmanas e cristãs, Saida oferece um mosaico vibrante de identidades enraizadas na resiliência e na vida urbana partilhada.
Cidades e diplomacia cultural

A cidade desempenha um papel ativo na cooperação euro-mediterrânica, promovendo a diplomacia cultural, o desenvolvimento sustentável e as parcerias internacionais. As colaborações com a MedCities, a UNESCO e a sua geminação com Barcelona reforçam a posição de Saida como ligação entre a Europa e o mundo árabe. Os principais eventos — Festival Internacional de Saida, Maratona de Saida, Noites do Ramadão, Vila de Natal e iniciativas lideradas por jovens — ilustram uma cena cultural dinâmica e inclusiva. O programa de Saida de 2027, “Fios do Mar”, reimagina o seu futuro através da memória, inovação e diálogo. Caminhadas patrimoniais, festivais de contação de histórias, bienais juvenis, jantares inter-religiosos, laboratórios digitais de contação de histórias, arte ambiental e fóruns de economia azul transformarão a cidade num laboratório cultural. Visitas ao património da RA, centros digitais e arquivos comunitários irão alargar a participação, destacando narrativas mediterrânicas partilhadas e reforçando a cooperação transfronteiriça.
Edição e adaptação de João Palmeiro com ECOCNews/Luigi Pasternoster.

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