Com os preços dos combustíveis novamente sob pressão, em grande parte devido às perturbações no abastecimento de petróleo provenientes do Médio Oriente, a dependência do automóvel volta a ganhar relevância. E Portugal destaca-se no contexto europeu: é o 4.º país onde o automóvel tem maior peso no transporte terrestre de passageiros.
Em 2024, o automóvel representou 87% da atividade de transporte terrestre de passageiros em Portugal. Os transportes coletivos, que neste indicador incluem autocarros, outros veículos de transporte coletivo e tróleis, representaram apenas 13%. Os valores são medidos em passageiros-quilómetro, permitindo avaliar o peso de cada modo no total das distâncias percorridas pelos passageiros.
Portugal encontra-se bastante acima da média da União Europeia, onde 82% da atividade é assegurada pelo automóvel e 18% pelos transportes coletivos. Ou seja, o peso do automóvel no nosso país é cinco pontos percentuais superior à média europeia.
A Lituânia apresenta a maior dependência do automóvel entre os países analisados: 91% da atividade de transporte terrestre de passageiros é realizada por esta via e apenas 9% através de transportes coletivos. Seguem-se Bulgária e Noruega, imediatamente antes de Portugal.
No extremo oposto encontra-se a Hungria. Apenas 67% da atividade é assegurada pelo automóvel, enquanto os transportes coletivos representam 33% — uma proporção mais de duas vezes superior à registada em Portugal. Suíça e Áustria encontram-se também entre os países europeus onde os transportes coletivos têm maior expressão.
Os dados mostram assim uma elevada dependência do automóvel nas deslocações em Portugal. Esta realidade torna as famílias e a economia particularmente expostas às oscilações dos preços dos combustíveis e reforça a importância de existirem alternativas de transporte coletivo eficientes e competitivas.

- Os factos vistos à lupa por André Pinção Lucas e Juliano Ventura – Uma parceria do POSTAL com o Instituto +Liberdade
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