Uma viagem de comboio entre Lagos e Vila Real de Santo António levou os deputados do Chega João Paulo Graça e Ricardo Moreira a criticarem a ferrovia algarvia, apontando tempos de viagem elevados, material circulante envelhecido e ligações que consideram insuficientes para responder às necessidades da região.
Os dois deputados, acompanhados por militantes de várias zonas do Algarve, percorreram na segunda-feira, 28 de setembro, toda a Linha do Algarve, entre Lagos e Vila Real de Santo António e no sentido inverso, numa iniciativa destinada, segundo o partido, a conhecer no terreno as dificuldades sentidas pelos passageiros.

Durante o percurso, a comitiva contactou com passageiros, que, de acordo com o comunicado, transmitiram preocupações relacionadas com horários, duração das viagens, ligações e condições oferecidas.
A viagem de ida começou em Lagos às 10:34, no único serviço InterRegional do dia, e terminou em Vila Real de Santo António às 12:54, totalizando duas horas e 20 minutos para cerca de 140 quilómetros. No regresso, em serviço Regional, a partida ocorreu às 15:34 e a chegada a Lagos às 18:13, após duas horas e 39 minutos.
Partido considera redução dos tempos de viagem insuficiente
O Chega sustenta que a eletrificação da Linha do Algarve, apesar de necessária, não resolveu o problema da duração das viagens. O partido refere um investimento de cerca de 135 milhões de euros e aponta para uma redução de aproximadamente 19 minutos face aos tempos de circulação anteriormente analisados.
“135 milhões de euros para uma redução tão pouco significativa dos tempos de viagem é manifestamente insuficiente. O Algarve precisa de muito mais do que uma linha eletrificada: precisa de uma ferrovia moderna e rápida”, defendem os deputados no comunicado.
A estrutura distrital do partido chama ainda a atenção para a idade do material circulante, afirmando que as carruagens utilizadas têm cerca de 50 anos, apesar de terem sido modernizadas há aproximadamente duas décadas. Refere igualmente que, em viagens que podem ultrapassar as duas horas e meia, os passageiros não dispõem de serviço para aquisição de bebidas ou alimentos.

O comunicado cita ainda declarações feitas no mesmo dia pelo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que classificou a infraestrutura ferroviária algarvia como “terceiro-mundista”, considerou que “não há condições de qualidade suficiente” nos comboios e criticou uma velocidade que “não se coaduna com um país desenvolvido”.
Para o Chega, estas declarações reforçam as críticas que o partido afirma ter recolhido junto dos passageiros durante a deslocação.
Chega aponta falhas nas ligações e prepara proposta para a região
O partido lembra que a ligação ferroviária entre Lagos e Vila Real de Santo António completou recentemente 104 anos e considera que, apesar das intervenções realizadas ao longo do tempo, o corredor mantém essencialmente um traçado concebido para uma realidade diferente da atual.
Entre os problemas identificados no comunicado estão a falta de ligações ferroviárias adequadas aos centros urbanos de Lagoa, Silves, Armação de Pêra e Loulé, a inexistência de uma ligação direta ao Aeroporto Internacional de Faro, a duração da viagem entre Faro e Lisboa e a ausência de uma ligação ferroviária ao sul de Espanha.

“Portugal não pode ter uma ferrovia a duas velocidades: alta velocidade para uns e uma viagem de uma eternidade para o Algarve”, afirma o partido.
O Chega anunciou ainda que está em fase de conclusão um projeto ferroviário para o Algarve, com propostas destinadas ao traçado, aos tempos de viagem, às ligações às principais localidades, ao Aeroporto de Faro, ao eixo Faro–Lisboa e à ligação ferroviária a Espanha.















