Os palhaços estão sempre tristemente animados, é o seu ganha pão.
No meio redondel, local de encontro da classe das palhaçadas, esgrima-se com armas de papel. Só lá estão os melhores palhaçadores cuja sombra é muito importante para a aprovação das palhaçadas a apresentar ao público pagador.
Um dia quando estava a palhaçada quase a acabar, estava um palhaço entre dois grupos de artistas, servindo de charneira, era preciso decidir sobre aquela brincadeira que estava a ser apresentada, foi então que ele decidiu a seu favor. Acabou a graça e o público pagador aplaudiu.
Outra vez, numa representação, os palhacecos, descendentes de outros palhaços maiores, discutiam alegremente a forma de apresentação se era ou não com uma pequena pausa, ao estilo de uma virgula que muda todo o sentido da graçola apresentada.
Durante um espetáculo, um miúdo perguntou a um adulto “porque vêm os palhaços para o circo?” a resposta foi simples: “vêm porque não sabem fazer mais nada ou para completar outros rendimentos”.
Há algumas sessões do circo mais bem conseguidas do que outras, quando não corre bem o palhaço-mor grita para o público “habituem-se”, reconhecendo o seu fracasso na representação e continuando com a sua vã esperança de dias melhores.
No redondel do circo acontece de tudo, há amor, ódio, traição, lutas fingidas, e representações supostamente sérias, há de tudo como na vida dos espectadores que pagam para assistir.
No circo também há malabaristas, trapezistas, contorcionistas, animais de vários tamanhos e outros artistas que cantam ou que fingem chorar, quando estamos à porta é vê-los desfilar, tal visão é um regalo para os cegos.
No circo a animação está sempre garantida, mas nem sempre as famílias têm dinheiro suficiente para pagar o espetáculo, embora para alguns seja a árvore das patacas.
Peço desculpa aos Profissionais do Circo pela utilização da sua honesta designação profissional.
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