Diz-se que o Presidente Marcelo foi à Alemanha para participar na Bürgerfest — uma festa dedicada ao trabalho voluntário e ao envolvimento cívico dos cidadãos.
Até aqui, tudo normal. Marcelo é um habitué de tudo o que envolva palcos, bandeiras e fotografias — um verdadeiro escuteiro institucional de mochila às costas e sorriso em modo selfie. É, provavelmente, o único Chefe de Estado europeu capaz de visitar três países, ir a um concerto de música rock, mergulhar numa praia e ainda jantar com um sem-abrigo, tudo na mesma semana e sem perder o fôlego nem a gravata.
Mas eis que surgiu um deputado com faro apurado para escândalos e cheiro a grelhados, André Ventura, líder do Chega, que confundindo “Bürger” (cidadão, em alemão) com “Burger” (hambúrguer, em inglês), viu na dita festa uma “comezaina de hambúrgueres” onde o dito Marcelo se deslocava à custa dos fiscalmente sacrificados «Tugas».

Jurista
Um erro linguístico que pode acontecer a qualquer um, especialmente quando se está com fome de polémica
Um erro linguístico que, convenhamos, pode acontecer a qualquer um, especialmente quando se está com fome de polémica.
A crítica foi clara: “À conta dos nossos impostos!” — bradou Ventura, como se Marcelo fosse ao McPalácio Bellevue pedir um menu XXL com batata frita e refrigerante, tudo pago pelo erário público.
E se, acaso, se estivesse mesmo perante uma festa de hambúrgueres?
Imaginemos, por um momento, que Ventura tinha razão, que o Presidente participava numa “Burger Fest” onde o tema central era o ketchup e a maionese. Ainda assim, não era oportunidade para uma verdadeira diplomacia gastronómica, promovendo-se a carne alentejana, o queijo da serra e as caralhotas de Almeirim, tendo-se, naturalmente, o cuidado de esclarecer — entre molhos e trocadilhos — que a caralhota é apenas pão, apesar das aparências? Quem sabe, até, conseguindo-se convencer os alemães a trocar a bratwurst por bifanas?
Em suma: Portugal, um país onde a política se serve em travessas de escândalo, guarnecida com molho de indignação e acompanhada por batatas fritas de populismo. Enquanto os problemas reais ficam a marinar no fundo da despensa, os “casos” são o prato do dia — sempre quentes, sempre prontos, e sempre com um toque de picante para animar o noticiário. Por cá, não se governa: tempera-se. E se houver confusão entre cidadãos e hambúrgueres, tanto melhor — dá para grelhar mais uma polémica e servir com um sorriso institucional em modo selfie. Afinal, em vez de soluções, temos degustação de distrações. E no fim, o povo paga a conta… com IVA incluído e sem direito a sobremesa.
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