Numa época em que a carência de Enfermeiros é evidente, não só em Portugal, como em todo o mundo, faz-me sentido assinalar a data de hoje, 26 de junho…
Há 55 anos, em 26 de junho de 1971, a Portaria 343/71 de 26 de junho, publicada no Diário do Governo nº 149/1971, Série I de 26/06/1971, cria a Escola de Enfermagem de Faro, para funcionar como serviço oficial do Ministério da Saúde e Assistência, em Faro.
E a Escola tem cumprido o seu desígnio, formando todos os anos entre três e quatro dezenas de Licenciados em Enfermagem.
Atualmente já não se chama Escola de Enfermagem de Faro.
E não está nas mesmas instalações.
Em 1989, o ensino da enfermagem foi integrado no Ensino Superior Politécnico através do Decreto-Lei n.º 480/88 de 23 de dezembro e a Escola toma a designação de Escola Superior de Enfermagem de Faro. Nessa altura a Escola era dotada de um Conselho Diretivo próprio e independente, liderado pelo Sr. Enfermeiro Luís Manuel da Cunha Gamboa, que esteve à frente dos destinos da Escola entre 1980 e 2003, a quem presto a minha homenagem.
A Escola Superior de Enfermagem de Faro, integrou a Universidade do Algarve em 2001.
E, em 11 de junho de 2003, pela Portaria n.º 476/2003, a antiga Escola Superior de Enfermagem de Faro, integra a Escola Superior de Saúde de Faro, na altura a mais nova Escola da Universidade do Algarve.
Mas o fim a que se destina, o Departamento de Enfermagem ou a Área Departamental de Enfermagem continua o mesmo: a formação de Enfermeiras e Enfermeiros, com elevados conhecimentos científicos, técnicos, humanos e culturais, adequados às atuais necessidades específicas das pessoas, ao longo do seu ciclo de vida.
A profissão de Enfermagem tem como objetivo prestar cuidados de enfermagem ao ser humano, são ou doente, ao longo do ciclo vital e aos grupos sociais em que ele está integrado, de forma que mantenham, melhorem ou recuperem a saúde, ajudando-os a atingir a sua máxima capacidade funcional tão rapidamente quanto possível (Ordem dos Enfermeiros, 2017).
Neste contexto, a formação prepara os futuros enfermeiros para a prática do cuidar, prática fundamental da Enfermagem.
E o que é Cuidar? É ter em conta as necessidades específicas de cada ser humano, reconhecendo o seu todo bio-psico-social e espiritual, através do conhecimento da pessoa, permitindo estabelecer com ela uma relação de ajuda, para colmatar essas necessidades.
Por isso, são treinadas competências específicas durante os quatro anos de formação inicial, como as competências relacionais, as competências clínicas, onde incluo as competências técnicas, a observação, entre muitas outras, sendo também alvo de desenvolvimento os conhecimentos éticos e deontológicos da profissão.
Quando se pergunta de um modo geral o que faz um enfermeiro, a resposta ainda é: avalia a tensão arterial, faz pensos, dá injeções, dá banhos, etc..
E sim, o enfermeiro faz isso tudo, mas muito mais para além disso: a avaliação inicial que faz do utente, permite-lhe ter um diagnóstico de enfermagem adequado a uma prestação de cuidados específicos para aquele utente e sua família, de modo a conseguir ganhos em saúde, colaborando para que sejam atingidos vários Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável 2030 (ODS 2030), como por exemplo, a Saúde de qualidade, Educação de qualidade, Igualdade de género, Reduzir as desigualdades…
Como? Através da sua prática diária aos três níveis de prevenção. Cuidar contribui para a qualidade de vida e para a sobrevivência, num mundo global em que nos deparamos com muitos desafios, como a guerra, a pobreza, a perda de abrigo, a existência de infeções emergentes, entre outros.
Os enfermeiros contribuem para que consigamos dar resposta aos grandes desafios sociais relacionados com a saúde global, através do desenvolvimento de estratégias que visam combater as necessidades de saúde resultantes da globalização, de forma holística, estando atentos aos desafios resultantes do aumento da longevidade e do aumento de doenças/situações crónicas de que são exemplo a obesidade, as doenças cardiovasculares, o declínio da saúde mental em qualquer idade, entre muitos outros.
E quando se fala da abertura de novos Hospitais, Centros de Saúde, dos quais nem discuto a necessidade, lembremo-nos que para essa abertura são necessários profissionais…
Por isso, quero hoje celebrar com antigos Professores (os meus), colegas de curso e de profissão (na prática clínica, ou no ensino) e estudantes o 55º aniversário da criação da Escola de Enfermagem de Faro.
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