O Dia da Mãe comemorou-se este ano, no dia 3 de maio.
A Mãe, é fonte de abrigo, amor, carinho, afago, colo e … alimento, desde os primeiros momentos de vida.
Não só nos dá abrigo, calor, alimento e conforto até ao nascimento, no seu útero, como, desde que nascemos, nos nutre com o seu leite e nos dá amor, carinho e atenção.
O leite materno, é o alimento mais adequado e natural para alimentar o bebé desde o nascimento até aos dois anos de idade, ou mais. Com características específicas no que concerne aos nutrientes necessários ao desenvolvimento e crescimento harmonioso e adequado do recém-nascido, o leite materno contém substâncias imunoprotetoras, é um alimento vivo e está sempre pronto, a uma temperatura adequada para o bebé. Adequa-se também ao intestino imaturo do bebé e não custa dinheiro.
Devido aos benefícios do leite materno, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o início precoce da amamentação, na primeira hora de vida.
Para além disso, a OMS recomenda o Aleitamento Materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida (exclusivo, significa que o bebé não necessita de mais nenhum alimento, nem água ou chás), devendo o bebé ser amamentado em horário livre (sempre que quiser), até aos dois anos de idade, com alimentação complementar adequada a partir dos seis meses.
O aleitamento materno tem várias vantagens para o bebé, para a mãe e para a família.
Para o bebé, porque é seguro, contém anticorpos que ajudam a protegê-lo de doenças como diarreia, infeções respiratórias e otite, ajuda a diminuir o risco de morte súbita do lactente e o risco de infeções graves, fornecendo todos os nutrientes para um desenvolvimento saudável.
Parece também contribuir para que, quando adolescentes ou adultos, os bebés amamentados com leite materno, tenham menos probabilidade de desenvolvimento de doenças crónicas (diabetes, excesso de peso e obesidade, doença cardiovascular, entre outras), para além de que, segundo a Direção Geral da Saúde (DGS), períodos mais longos de amamentação têm sido associados a um quociente de inteligência superior.
Para a mãe, porque pode facilitar a perda de peso após o parto e a consequente recuperação da forma física mais facilmente, reduz o risco de desenvolvimento de várias doenças, entre as quais o cancro da mama e do ovário, a diabetes e a hipertensão.
Para a família, podemos contar com os benefícios económicos, já que o leite materno é grátis.
No entanto, não são apenas estes os benefícios de amamentar.
Outro dos benefícios inerentes à amamentação, é a interação que se desenvolve entre a mãe e o bebé, que leva ao desenvolvimento de uma relação de apego. Esta relação que se estabelece entre a díade mãe-bebé, é um vínculo afetivo que perdura por toda a vida e é base das relações de confiança que o bebé, a criança e o adulto são capazes de estabelecer com os outros. Por isso, o estabelecimento de um vínculo adequado entre a mãe e o bebé é tão importante.
Logo a seguir ao nascimento e nas primeiras semanas de vida, o bebé passa muito tempo a dormir. O tempo em que está acordado, é aquele em que come, ou melhor dizendo, mama. E é durante esse tempo, que o bebé interage com a mãe (olha, reconhece, sorri), porque está acordado, alerta. Nesta altura, toda a atenção dada pela mãe é indispensável para o desenvolvimento afetivo do bebé e para a sua capacidade de confiar, capacidade essa que será uma mais-valia para o desenvolvimento da sua resiliência.
É por esse motivo que, nas alturas do dia em que a mãe amamenta, a sua atenção deve estar focada no bebé, em completa sintonia com ele, falando-lhe, cantando para ele, enfim estando atenta a todas as suas expressões.
Por isso, é supérflua a televisão ligada (pois a mãe vai estar atenta ao bebé), ou estar a telefonar ou a ver informações no telemóvel: quando estamos a ver informações no telemóvel, não somos capazes de interagir com ninguém e o tempo de amamentar deve ser um tempo de relação de qualidade entre a mãe e o bebé.
Outra coisa importante é que para dar atenção ao bebé, a mãe também tem de estar bem consigo, isto é, deve estar feliz e não se sentir sobrecarregada. Para isso, contribui o apoio da família, dando atenção à mãe e ajudando nas tarefas que podem ser delegadas, proporcionando um ambiente seguro e adequado.
E quando a mãe não consegue ou não quer amamentar?
Existem algumas situações em que a mãe não consegue ou pode mesmo amamentar (por exemplo, ser portadora de VIH), ou não quer.
Tal como a decisão de amamentar, a decisão de não amamentar é um direito da mãe e deve ser respeitada.
Nos casos em que a mãe não amamenta, e embora o leite materno seja o alimento preferencial para o bebé, existem vários leites de fórmula que o podem substituir, pelo que a mãe não deve ficar ansiosa, nem se sentir culpada por não amamentar o seu bebé.
Quer a mãe amamente, quer alimente o seu bebé com leite de fórmula, dá-se relevo à importante interação mãe-bebé, que ocorre durante o tempo em que o bebé mama (e não só) e que é facilitadora de um vínculo afetivo seguro, que se estabelece com as respostas consistentes às necessidades do bebé: comer, dormir, estar limpo, aquecido (com roupa adequada à estação do ano), num ambiente de Paz e atenção. E é também essencial enfatizar o importante apoio que a família pode dar à mãe para que a amamentação seja um sucesso e permita a criação de laços indeléveis para toda a vida, potenciando saúde e bem-estar.
Leia também: A propósito do respeito… | Por Filomena Matos















