Há pouco, enquanto tomava um café, ouvi uma expressão que há muito tempo não ouvia… “o respeito é muito bonito e eu gosto”. Quem disse isto era alguém bastante mais velho que eu, a um jovem que tinha sido rude.
O respeito, segundo o dicionário Priberan (2026), é um sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém; é apreço, consideração, deferência; …
Então respeitar não é mais do que fazermos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós…
Quem não gosta de ser apreciado? Quem não gosta de ouvir coisas agradáveis ou de experienciar ser tratado com deferência, de modo agradável?
Quando me refiro a respeito, não me refiro apenas às pessoas: refiro-me também ao respeito para com os animais, para com as árvores… e para com os bens que são de todos, pois isso representa a maneira como tratamos a nossa casa, o nosso ninho, ou seja, o planeta onde vivemos.
Então, considero que respeito é sustentabilidade…
O respeito aprende-se desde os primeiros tempos de vida, faz ou não parte da cultura de cada um de nós.
O respeito aprende-se mais por imitação e menos por imposição. Aprende-se ao percebermos que cada um de nós pode ser diferente, mas que tem direitos iguais (e deveres também).
Quando digo que se aprende mais por imitação, é porque o respeito aprende-se desde o berço e repercute-se nas inúmeras interações que temos com os outros.
Porque quando tratamos alguém com doçura, normalmente recebemos doçura de volta… um sorriso desperta sempre outro sorriso… em qualquer parte do mundo.
… E também uma má palavra recebe normalmente outra de volta.
Daí a importância da família e das vivências dos primeiros anos de vida, em que absorvemos tudo o que se passa à nossa volta.
Por isso se a nossa experiência for de amor, carinho, atenção e consequente respeito às nossas necessidades, é assim que vamos aprender a interagir com os outros e será assim que repetiremos as nossas ações futuras.
Ensinamos pelo exemplo quando somos afáveis com os outros, quando demonstramos paciência e deferência para com os outros, quando tratamos com respeito quem está numa fila, ou que nos serve uma refeição ou nos faz a conta num supermercado…
Mas se as experiências que os mais novos têm forem de stress, maus tratos, violência, as aprendizagens serão essas mesmas: de violência…
Os primeiros anos de vida são fundamentais para as aprendizagens, boas ou más, porque é quando começamos a escrever o nosso livro branco.
Dos primeiros anos de vida levamos experiências indeléveis para vida toda. É possível alterarmos essas experiências e transformá-las, mas não é tarefa fácil.
Nestes tempos de incerteza social em que vivemos, a aprendizagem do respeito é mais difícil, porque estamos inundados todos os dias de notícias contrárias ao respeito: as notícias de guerra e de desrespeito pelos direitos humanos de crianças, mulheres e homens de qualquer idade e de qualquer credo ou cultura. Parece até que o desrespeito é uma coisa normal…
E é isso que me perturba: que os mais novos não tenham tempo para acreditar nos contos de fadas, que o imaginário infantil tenha muito mais papões do que fadas, que a maior parte das imagens a que assistem sejam imagens de guerra, de destruição, de revolta, mesmo nos desenhos animados, de normalidade para a violência…
E isso depois repercute-se para o quotidiano.
Sim, porque nas nossas escolas há sempre alguém que experiencia violência em vez de bem-estar. Às vezes por falta de vigilância, às vezes por falta de conhecimento de quem supervisiona, às vezes por falta de competências emocionais de quem é responsável …
E experienciar violência num local que deveria ser de Paz, crescimento e desenvolvimento de redes de apoio para o futuro deixa marcas profundas não só de quem é vítima, mas também de quem é agressor e também de quem assiste… o clima da escola fica mais negro, menos propício às aprendizagens académicas.
A violência é propícia à tristeza, à depressão, à desistência e à delinquência, ao aparecimento de pessoas sem redes de apoio e gera sempre violência.
Daí que deixo aqui o meu repto ao ensino/aprendizagem do respeito, para um mundo sem violência, sem discurso de ódio, sem guerra, sem contributos para a destruição daquilo que nos foi legado pelos nossos antepassados… para um planeta mais sustentável, agradável, ninho de bem-estar.
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